A chegada da plataforma de streaming Disney Plus no Brasil esse ano sacudiu as coisas no mercado. O lançamento oficial da plataforma, no entanto, ocorreu no final de 2019 e nós brasileiros precisamos esperar um pouco mais de um ano para finalmente conseguirmos conferir tudo o que o novo serviço do maior estúdio da atualidade tem a oferecer. O que, sem dúvidas, é muito. No entanto, se formos falar apenas em material original e inédito, o serviço ainda está dando seus primeiros passos. As séries da Marvel e do universo Star Wars prometem mudar isso, mas por enquanto o que temos já pronto são duas temporadas de O Mandaloriano e WandaVision (com um episódio lançado por semana) para ser consumido.

Para contrabalançar e apelar aos nostálgicos, a plataforma possui muitos clássicos em seu acervo, aos poucos inserindo mais e aumentando sua biblioteca com os produtos da casa, isso sem falar na filmografia completa de sua última aquisição a 20th Century Fox.

Aqui nesta nova matéria iremos nos concentrar em verdadeiras pérolas da década de 80 “escondidas” no acervo da plataforma, para você conhecer e assistir. Uns são mais conhecidos e famosos e outros muitos podem sequer ter ouvido falar. Para efeito de selecionar melhor, neste texto iremos nos focar em produções da própria Walt Disney Studios, ou seja, nada de Star Wars, Marvel, Fox ou sequer das subsidiárias do estúdio, vide a Touchstone Pictures – em breve faremos uma lista só com esses também. Sem maiores delongas, vem conferir.

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Tron: Uma Odisseia Eletrônica

Começamos com uma produção relativamente famosa, que viveu para se tornar um filme cult durante os anos 1980 e 1990. Quem viveu na época sem dúvida deve lembrar das exibições deste filme no SBT – já que o canal possuía acordo de exibir os filmes da Disney na época. Lançado em 1982, Tron não foi um sucesso retumbante como o estúdio esperava e com um orçamento de US$17 milhões, viu de volta aos cofres US$33 milhões. Por outro lado, o longa se tornou um verdadeiro marco quando falamos em efeitos visuais revolucionários, com uma trama inteiramente passada num “mundo de videogames”, quando estes ainda engatinhavam.

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Escrito e dirigido por Steven Lisberger, Tron traz ninguém menos que um Jeff Bridges novinho em início de carreira como protagonista. Ele vive Kevin Flynn, um hacker de computadores que termina dentro de uma máquina como parte de seu programa, precisando se digladiar em competições virtuais a fim de conseguir escapar. Os efeitos precursores para uma época muito longe do CGI chamaram atenção e o filme foi indicado a dois prêmios no Oscar: figurino e som. Para a geração de hoje, infelizmente, o visual de Tron pode ser considerado extremamente datado e encarar longos trechos sem diálogos onde apenas contemplamos os efeitos (diga-se grandes polígonos / corridas com criações muito aquém de qualquer vídeo game atual) pode vir a se mostrar um desafio.

Para os nostálgicos, no entanto, o item é um prato cheio garantido de disparar gatilhos da memória afetiva. A badalação cult em torno de Tron foi tanta que a Disney tirou do papel uma sequência tardia, 28 anos depois, novamente estrelada por Bridges e, claro, com efeitos melhores e mais modernos. Por anos fala-se de uma terceira parte – já que Tron: O Legado fará 11 anos de seu lançamento em 2021 – e parece que ela finalmente irá sair do papel, com Jared Leto vinculado para protagonizar e Garth Davis (Lion e Maria Madalena) na direção. Isso significa que teremos Rooney Mara no elenco também?



Querida, Encolhi as Crianças

Hoje pode não parecer muito, mas em 1989, época de lançamento do filme, esta história sobre um pai cientista avoado encolhendo acidentalmente seus filhos e os do vizinho a um tamanho menor do que formigas capturou a imaginação de toda uma geração de crianças, que só falavam e pensavam no filme. Em termos de efeitos, diversão, história e dimensão foi algo parecido com o que tivemos nos filmes do Homem-Formiga (2015 e 2018) para as crianças de hoje. Pois é, a Disney já havia feito antes, e com efeitos impressionantes para a época, que marcaram igualmente. A ligação com a Marvel não para por aí, já que este foi o primeiro trabalho como diretor de Joe Johnston, que viria anos mais tarde a comandar Capitão América: O Primeiro Vingador (2011) e ajudar com o pontapé inicial no MCU.

O semi-aposentado Rick Moranis é quem protagoniza, capitalizando em cima do auge de sua fama nos anos 1980 (de filmes como Os Caça-Fantasmas, A Pequena Loja de Horrores e SOS – Tem um Louco Solto no Espaço). Ele interpreta Wayne Szalinski, um cientista genial que está sempre a um passo de revolucionar o mundo com alguma invenção fantástica, se ao menos alguma delas funcionasse e tivesse uso real. A última, uma máquina capaz de encolher qualquer ser ou objeto a um tamanho microscópico, termina por acidentalmente fazer de quatro adolescentes (incluindo seus filhos) as cobaias. Querida, Encolhi as Crianças fez mais sucesso do que o estúdio esperava quebrando recordes de bilheteria para a Disney. Desta forma não demorou para os responsáveis tirarem do papel uma sequência, e ela chegou três anos depois com Querida, Estiquei o Bebê (1992). Desta vez, o mais novo membro da família, o bebê Adam é o alvo acidental das experiências do patriarca Wayne e começa a crescer incontrolavelmente até se tornar um gigante da altura de prédios. Quem são Kong e Godzilla na fila do pão? Ainda tentando surfar em tal popularidade, mas já tendo perdido grande parte do gás, um terceiro filme foi lançado direto em vídeo em 1997. Querida, Encolhi a Gente já explica tudo pelo título.

Pulamos para 2021, uma época em que a Disney domina o mercado do entretenimento e com o advento de sua própria plataforma de streaming é claro que uma das palavras de ordem é ressuscitar marcas famosas e pré-estabelecidas do passado. Assim, além o terceiro Tron, o estúdio está a toda na pré-produção de Shrunk, remake (ou reboot) de Querida, Encolhi as Crianças, que promete, entre outras coisas, tirar o sumido Rick Moranis de sua reclusão (o ator não lança um filme no cinema desde 1996). Moranis está vinculado para viver Wayne pela quarta vez e, assim como no reboot de Férias Frustradas (2015), um ator mais famoso pega o papel do filho do veterano, protagonizando a nova obra. Aqui é Josh Gad quem interpreta Nick e a história será centrada em sua família. Uma curiosidade é que na direção teremos o mesmo Joe Johnston do original.

O Mundo Fantástico de Oz

Você sabia que o atemporal O Mágico de Oz (1939), um dos mais famosos filmes de todos os tempos, teve uma continuação? Pois é, a maioria talvez não saiba. O Mundo Fantástico de Oz na época de seu lançamento em 1985 inclusive entrou para o livro dos recordes como a continuação mais tardia para um filme, são 46 anos que o separam de seu original. Em 2006, Oz perdeu seu recorde para a animação Bambi 2, lançada nada menos que 64 anos depois do primeiro (1942). Hoje, temos filmes como O Retorno de Mary Poppins (2018), separado do original por 54 anos. Ou seja, uma prática já comum na Disney.

No entanto, o motivo por você nunca ter ouvido falar deste filme é mais obscuro e deve-se unicamente ao fracasso monumental do longa tanto financeiramente quanto de crítica. Tendo custado US$25 milhões, Return to Oz fez “somente” US$11 milhões nos EUA. O motivo é que grande parte da magia do original não conseguiu ser capturada por esta sequência. Seus problemas de bastidores, com atrasos e orçamento estourado (que limitou a participação dos personagens icônicos a pontas rápidas) assustou o estúdio e a obra terminou sendo “enterrada”. Mesmo assim, o filme foi indicado ao Oscar de efeitos visuais. E hoje ressurge como cult.



Na trama, Dorothy desta vez é interpretada por Fairuza Balk (Jovens Bruxas, 1996) ainda na infância, e precisa retornar ao mundo de Oz. Mais sombrio, o longa inicia com a protagonista internada num manicômio por não conseguir tirar da cabeça as aventuras do original, relatos tratados como loucura por todos ao redor. A menina chega ao cúmulo de ser “tratada” com eletrochoque, cena que causou polêmica e fez os críticos da época rangerem os dentes. Afinal, não é exatamente o que pensamos ou queremos de um filme do Mágico de Oz. De qualquer forma, seja como prazer culposo, filme subestimado ou produção obscura, vale a pena redescobrir por conta própria essa grande produção chamativa da casa enquanto Malvadas (Wicked), prometido para este ano, não estreia.

Viagem Clandestina

Aventura dramática para toda a família, esta é outra pérola escondida e pouco falada do acervo da Disney, mas o filme inclusive foi indicado ao Oscar (de melhor figurino). Lançado em 1985, Viagem Clandestina conta a história da “moleca” Natty Gann durante a década de 1930, uma jovem disposta a atravessar o país, fugindo de seus guardiões legais, para se reunir com o pai após este ter buscado trabalho em outro estado. Ele enfrentará o frio intenso, a neve e, como diz o título, viagens clandestinas de trem. No percurso, ela fará aliados, como seu lobo de estimação e o andarilho Harry, interpretando por um John Cusack com 19 aninhos em um de seus primeiros papeis sérios no cinema.

A protagonista Natty Gann é interpretada pela atriz Meredith Salenger em seu primeiro trabalho, já estreando com o pé direito numa grande produção da Disney, selecionada entre milhares de moças. Curiosamente, Salenger de certa forma retornaria ao papel, não numa sequência do filme, mas em A Montanha Enfeitiçada (2009), estrelado por The Rock, que por sua vez é o remake de uma produção homônima do estúdio de 1975.

Amy – Uma Vida Pelas Crianças


Produção de 1981, o longa é protagonizado por Jenny Agutter, atriz que ficaria conhecida por papeis em filmes de terror, como Um Lobisomem Americano em Londres (lançado no mesmo ano) e Brinquedo Assassino 2 (1990). Aqui, num filme de teor muito diferente, ela interpreta Amy Medford (que dá título ao longa), esposa no início do Século XX que abandona o rico marido após a morte de seu filho. Ela decide trabalhar ajudando crianças surdas e cegas numa escola especial, mesmo sem ter muito treinamento. Seus métodos começam a funcionar e logo ela se torna a professora preferida dos alunos no local.

O drama de época Amy foi concebido para ser um filme para a TV, parte de uma série de antologia planejada pela Disney. Porém, ao invés o longa foi lançado nos cinemas. Ao longo dos anos, assim como outros da lista, a obra caiu na obscuridade. Ou seja, a ocasião perfeita para ser descoberta.

O Natal Mágico

Finalizando a lista, apresentamos o filme ideal para ser assistido no feriado de fim de ano. Misturando elementos do clássico literário de Charles Dickens, Um Conto de Natal (A Christmas Carol, 1843), o ícone do cinema A Felicidade Não se Compra (1946) e filmes com anjos e o Papai Noel, O Natal Mágico apresenta uma cínica dona de casa, Ginny, que odeia o Natal e tudo que o cerca devido às dificuldades da vida. Então é quando um anjo chamado Gideon é enviado para mudar o pensamento da mulher dura e mostrar o verdadeiro significado da data.

Este poderia ser apenas mais um título natalino genérico, mas trata-se de um lançamento Disney nos cinemas protagonizado pela vencedora do Oscar Mary Steenburgen (que 5 anos depois ficaria conhecida como a professora Clara do blockbuster De Volta para o Futuro III) no papel de Ginny. No papel do anjo Gideon outro chamariz, o saudoso Harry Dean Stanton (Alien – O Oitavo Passageiro). Além disso, O Natal Mágico marca a estreia nas telas de Sarah Polley, que viria a se tornar uma atriz e diretora de prestígio na cena independente norte-americana. A história foi escrita por Thomas Meehan, dramaturgo de musicais da Broadway vide Annie, Hairspray e Os Produtores.

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