Os brasileiros finalmente puderam comemorar a chegada da Disney Plus no Brasil. E a plataforma chegou com os dois pés na porta. Não podia ser de outra forma, afinal enfrentar a concorrência pesada da Netflix, Amazon e outras não é moleza. Aos poucos a plataforma da Disney vai crescendo e prometendo novos conteúdos inéditos e exclusivos, além de lançar grandes produções diretamente em seu streaming, como foi o caso com o live-action de Mulan e da animação elogiadíssima Soul.

No entanto, um bom serviço do tipo precisa apelar também para os mais velhos e nostálgicos, que terminam sempre dando mais atenção aos produtos do passado. Pensando neste seleto grupo de espectadores, peneiramos algumas produções da Walt Disney da década de 1980 que ainda não se encontram na plataforma, mas que já fazem parte da lista dos mais pedidos dos fãs. Em vias da entrada da HBO Max em solo brasileiro, essa seria uma boa maneira da Disney dar ao seu público o que ele pede e ganhar ainda mais gás na preferência geral. Afinal, o estúdio possui uma biblioteca pra lá de rica. Confira abaixo os filmes dos anos 80 que a Disney PRECISA colocar em seu acervo.

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Condorman – O Homem-Pássaro



Caso tivesse sido bem sucedido em seu lançamento no ano de 1981, esta investida da Disney em um super-herói (baseado num livro) sem dúvida teria gerado sua própria franquia do nível de, digamos, algo como Indiana Jones (cujo primeiro filme, Os Caçadores da Arca Perdida, foi lançado no mesmo ano). Mistura de herói alado com 007, Condorman funciona igualmente como sátira aos filmes de espiões do cinema, apresentando o cartunista Woody Wilkins (Michael Crawford) ajudando a CIA contra a União Soviética. Para a missão, ele resolve se tornar a criação de suas páginas, o herói Condorman, que utiliza diversas bugigangas em seu arsenal e uniforme, sendo a mais marcante um par de asas que o permite voar. A Disney estava tão confiante na produção que já planejava a sequência e inclusive teve um chocolate na bomboniere dos cinemas com o nome do filme. Já está na hora de disponibilizarem este clássico em seu acervo da Disney Plus e, quem sabe, revitalizar a ideia num novo filme ou série.

 

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Popeye

Uma das criações mais icônicas da cultura pop, o marinheiro Popeye fez a alegria de gerações em seus desenhos ao longo dos anos. Embora muitos não tenham conhecimento ou não lembrem, o personagem chegou a ganhar seu próprio filme em live-action, ainda em 1980. E não foi um filme qualquer, esta era uma grande aposta do estúdio trazendo ninguém menos que o saudoso Robin Williams na pele do protagonista comedor de espinafre e Shelley Duvall (que no mesmo ano estrelaria O Iluminado) como Olivia Palito. Na direção, um verdadeiro mestre cultuado: Robert Altman. Apesar dos elogios da imprensa, este musical de orçamento caro falhou em chamar o público e não rendeu o esperado. Depois disso, nada mais foi feito com o personagem em live-action, o que é uma pena. Popeye, no entanto, talvez seja um pouco mais difícil cair no acervo da Disney Plus, por se tratar de uma produção conjunta com a Paramount, que distribuiu o longa em muitos países. Mesmo problema que exclui os novos filmes do Homem-Aranha com Tom Holland da plataforma.



O Dragão e o Feiticeiro

O mesmo problema de direitos autorais citado acima, é pelo que passa essa superprodução, que igualmente foi criada em parceria com a Paramount – o que pode impedir sua inclusão no acervo da Disney Plus. Quem sabe o estúdio não dê um jeito na situação para o futuro. O início da década de 1980 foi uma época muito produtiva para o gênero da aventura medieval de capa, espada e fantasia – que influenciaram de tudo até o blockbuster Star Wars. Na trama do filme, Peter MacNicol (Os Caça-Fantasmas 2) interpreta um aprendiz de feiticeiro partindo numa missão mortal: matar um dragão que está se alimentando de meninas num reino próximo. Apesar de não muito falado atualmente, esta obra de 1981 foi indicada a dois Oscar – melhores efeitos especiais e trilha sonora. De fato, os efeitos que criam o dragão antagonista impressionam até hoje e a criatura foi considerada o melhor dragão jamais visto em filme por ninguém menos que George R.R. Martin, criador da série Game of Thrones. O autor é tão fã do monstro e do filme que batizou um dos dragões da famosa série como Vermithrax, o mesmo nome do bicho deste longa. Bem que a Disney poderia encontrar uma forma de recuperar a propriedade e quem sabe orquestrar um reboot moderno.

O Voo do Navegador

Os itens acima até desculpamos por motivo da colaboração entre estúdios, mas este não tem muito perdão. Um dos filmes juvenis mais adorados da década de 80, tendo sido lançado em 1986, O Voo do Navegador ainda não está no acervo da plataforma Disney Plus, mesmo sendo um dos maiores acertos em live-action do estúdio no período. O clássico mistura em seu enredo dois elementos que estavam muito em voga no período: viagens espaciais (graças ao sucesso de Star Wars) e amizade entre um menino e criaturas alienígenas (E.T. – O Extraterrestre). Na trama, o menino David Freeman (Joey Cramer) desaparece por 8 anos e quando retorna demonstra não ter envelhecido um ano sequer. É claro que seres de outro planeta estão envolvidos e agora o menino possui seu próprio melhor amigo vindo do espaço. As autoridades americanas começam a investigar. O filme marca um dos primeiros trabalhos da estrela Sarah Jessica Parker num papel coadjuvante.

No Templo das Tentações

Hoje, é quase impossível que um estúdio tão politicamente correto e amigável com a família inteira possa criar um filme de terror com elementos perturbadores – mesmo que sem a intensidade e gore mais hardcore. No entanto, na década de 1980, a Disney garantia seus pesadelos para a criançada. E um dos responsáveis foi esta adaptação do livro de Ray Bradbury, cujo roteiro foi escrito pelo próprio autor, lançada em 1983. Jack Clayton, produtor e diretor do clássico de horror psicológico Os Inocentes (1961), é quem comanda a obra – para termos uma ideia do que a casa do Mickey aprontava no passado. Na trama, uma cidadezinha pacata é assombrada quando no local chega um circo diabólico. Mr. Dark (nome nada sutil), o proprietário, é um sujeito demoníaco, interpretado com muito gosto pelo indicado ao Oscar Jonathan Pryce. Mas o ator não é o único nome de peso aqui, e fazendo dobradinha com ele estão o saudoso Jason Robards (vencedor de 2 Oscar) e a veterana Diane Ladd (indicada para 3 Oscar). A história mistura elementos depois usados por Stephen King em Trocas Macabras (1993), onde desejos podem trazer consequências tenebrosas se realizados. Cadê o filme no acervo da plataforma, Disney?

Max Devlin e o Diabo

Numa era de cancelamentos em que vivemos, é muito improvável que a Disney queira resgatar do limbo esta sua produção de 1981. Tudo porque protagonizando o filme temos o comediante Bill Cosby, visto por anos como um dos mais carismáticos humoristas do país, com uma importância social sem tamanho por ter impulsionado artistas negros na TV com seus programas. No entanto, numa reviravolta diabólica, Cosby viu tudo ruir ao ser condenado pela acusação de drogar mulheres e as estuprar durante anos. Algo simplesmente inaceitável e totalmente execrável. Mas será que banir todas as produções que trazem sua participação é a resposta? Sim, a Disney baniu A Canção do Sul (1946) por conter conteúdo considerado racista, e a HBO Max colocou um aviso do que seria encontrado no clássico …E o Vento Levou (1939) pelo mesmo motivo. Mas Max Devlin e o Diabo não possui nada de tão controverso em sua trama, e a polêmica só existe nos bastidores da vida pessoal de seu protagonista. No filme, Elliott Gould interpreta um homem de negócios corrupto, forçado a fazer um pacto com o Diabo (Bill Cosby) a fim de salvar sua alma do inferno. Talvez ter Cosby como o Diabo seja uma ironia ácida por si só atualmente.



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