Crítica | 2ª temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ chega ao fim com um sólido e envolvente 8º episódio

Cuidado: spoilers à frente.

Percy Jackson e os Olimpianos’, adaptação da saga fantástica de mesmo nome de Rick Riordan, estreou com uma primeira temporada de grande sucesso no Disney+ em 2023, apresentando Walker Scobell, Leah Sava Jeffries e Aryan Simhadri como o trio protagonista Percy Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood. Provando ser uma releitura fiel aos romances homônimos e se afastando dos esquecíveis longas-metragens da década passada, o ciclo de abertura conquistou os fãs ao redor do mundo ao mergulhar no universo de ‘O Ladrão de Raios’. Dois anos mais tarde, fomos presenteados com a adaptação de ‘O Mar de Monstros’ – cujo último episódio chegou nos últimos dias ao catálogo da plataforma de streaming.

Intitulado “The Fleece Works Its Magic Too Well”, o oitavo episódio da 2ª temporada amarra as pontas soltas e já nos prepara para a ambiciosa releitura de ‘A Maldição do Titã’ – que, como sabemos, ainda não recebeu sua releitura audiovisual. E, ainda que tenha escorregado aqui e ali, o capítulo em questão é sólido em sua essência e se beneficia de atuações gloriosas do elenco protagonista e coadjuvante para garantir um máximo aproveitamento por parte dos espectadores, ampliando o universo de Riordan conforme adota riscos inimagináveis e adentra um espectro recheado de artimanhas políticas que ditarão o futuro do Olimpo e dos semideuses espalhados pelo mundo.

Acompanhando de perto os eventos da semana anterior, a narrativa se inicia com a chegada de Percy, Annabeth e Grover ao Acampamento Meio-Sangue, ao lado de Sally (Virginia Kull) e Tyson (Daniel Diemer). Abordados pela presença do pégaso Blackjack, Percy descobre que Clarisse (Dior Goodjohn), que deveria ter chegado ao local com o Velocino de Ouro para salvar Thalia (Tamara Smart) e o Acampamento, não conseguiu cruzar a barreira em virtude das forças do mal de Cronos, lideradas por Luke (Charlie Bushnell) e outros dissidentes. Dessa maneira, coube ao trio reunir as forças dos semideuses para enfrentar seus inimigos e garantir que Clarisse cumprisse a missão que lhe foi dada – mas não antes de alguns percalços importantes e que, de fato, nos deixam vidrados do começo ao fim.

O episódio estende-se por mais ou menos quarenta minutos, seguindo os passos das iterações anteriores. Porém, enquanto alguns dos capítulos enfrentaram problemas de ritmo e de desenvolvimento por causa da breve duração, este aqui é dotado de uma capacidade incrível de condensar o que precisa ser condensado e finalizar o que precisa ser finalizado – sem deixar um potente cliffhanger que será mote para a próxima temporada. Dirigido por Catriona McKenzie, o season finale é um presente para os fãs inveterados e se arrisca com ótimas sequências de luta que denotam um amadurecimento necessário e contínuo para a mítica jornada dos semideuses na luta contra Cronos, funcionando como deveria e nos deixando ansiosos para o que futuro reserva à série.

McKenzie, que comandou outras duas iterações do ciclo – incluindo o surpreendente “We Check In to C.C.’s Spa & Resort” no final do ano passado -, dita as regras do jogo ao unir fantasia, drama e suspense em um mesmo lugar, mas sem deixar de lado o inescapável teor cômico próprio desse panteão mitológico. Guardando o melhor para o final e colocando Percy e Luke digladiando em uma luta pelo poder e pelo domínio do Velocino, a realizadora fornece respostas imprescindíveis sobre a Grande Profecia sem se valer de ocasionalidades impalpáveis ou conclusões frenéticas, aproveitando o espaço para dar uma introdução merecida a Thalia Grace e ao memorável debut de Smart como parte dessa deífica aventura.

O coshowrunner Craig Silverstein repete o feito de ‘O Ladrão de Raios’ ao ser escalado como roteirista de “The Fleece Works Its Magic Too Well”, reiterando seu conhecimento e sua paixão pela obra imortalizada de Riordan – e garante não apenas que o drama interpessoal permaneça, mas sirva de combustível para um beligerante conflito ideológico que tem como palco central a árvore mística que protege o Acampamento, buscando elementos das épicas epopeias greco-romanas para encontrar os clímaces e os corolários de uma guerra que ainda não acabou. E, é claro, nada disso seria possível sem o trabalho primoroso do elenco, com destaque a Scobell, Jeffries, Diemer, Underwood, Bushnell e Beatrice Kitsos como a vingativa Alison Simms, uma das aliadas de Luke.

A 2ª temporada de Percy Jackson e os Olimpianos’ chega ao fim de maneira coesa e coerente, sem medo de se arriscar onde encontra brechas e garantindo que o trabalho fabuloso dos atores e das atrizes seja nosso foco principal. Por mais que certos deslizes existam, é notável como, pouco a pouco, o time criativo por trás da adaptação vem demonstrando um apreço pelo amadurecimento e por expectativas que, obviamente, aumentam de maneira exponencial.

Lembrando que as duas temporadas estão disponíveis no Disney+.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.