Quando o primeiro ‘365 Dias’ estreou na Netflix, em 2020, causou um grande furor internacional por conta da trama – que gerou revolta nas espectadoras por se tratar de uma personagem mulher que é sequestrada pelo protagonista e que, eventualmente, se apaixona por ele, o que panfleta a mensagem errada; e pelas intensas, gráficas e múltiplas cenas de sexo, algo até então inédito na plataforma de streaming. Entre polêmicas e pimentas, ‘365 DNI’ figurou entre os mais vistos da Netflix por meses, e, mesmo depois de ter saído, vira e mexe voltou a figurar no Top 10. Agora, quase dois anos após sua estreia, a sequência ‘365 Dias: Hoje’ chegou para os assinantes.

Após sobreviver a um trágico acidente de carro, Laura (Anna Maria Sieklucka) e Massimo (Michele Morrone) finalmente se casam. Porém, o período de lua de mel acaba rapidamente quando Laura começa a perceber o jeitão controlador de Massimo, que não a permite desfrutar de nada sem a presença ou autorização dele. Mesmo com sua melhor amiga, Olga (Magdalena Lamparska), por perto, Laura sente-se entediada, até porque a amiga está envolvida com Domenico (Otar Saralidze), capanga de Massimo. Sem nada para fazer, o novo jardineiro da mansão, Nacho (Simone Susinna), acaba despertando a atenção da jovem mulher. Quando um flagrante faz Laura repensar suas escolhas de vida, novas possibilidades acabam colocando seu amor por Massimo em dúvida.



Basicamente, ‘365 Dias: Hoje’ é um compilado de uma hora e quarenta e cinco minutos de esquetes de filme pornô. Sério. Não tem enredo, não tem história, e, a bem da verdade, mal tem diálogos. As falas desse longa-metragem podem ser contadas com os dedos da mão – o que torna complicado o meu trabalho para escrever esta crítica.

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São tantos os problemas artísticos, dramatúrgicos, técnicos, que fica até complicado começar a elencá-los. Além da falta de diálogos, de plot, de uma continuidade orgânica, as falas servem no filme tão somente para iniciar uma cena de sexo. Daí parecer mesmo com as técnicas de filmagem das produções p*rnôs – o personagem entra, pronuncia uma fala com entonação sexual, o outro personagem faz ou fala algo convidativo e os dois partem pro rala e rola. Isso acontece, por exemplo, na cena do Natal, em que Massimo (do nada!) faz cara de enfezado, Laura vira pra ele e pergunta porque está inquieto, ele vira pra ela (do nadão!) e fala que está ficando impaciente porque parece que o Papai Noel esqueceu dele; Laura vira e fala “seja paciente, ele vai vir na hora certa”. Corta para ele saindo do banho de toalha, perambulando pela mansão (de toalha) até um quarto secreto onde os dois se relacionam em um verdadeiro kama sutra.

Dramaturgicamente, ‘365 Dias: Hoje’ é cansativo. Absolutamente todas as cenas de sexo têm música, o que acaba broxando um bocado o prazer do espectador, afinal, todo clímax é cortado por gente cantando. E são muitas, muitas mesmo, em entram em TODAS as cenas de sexo, de transição e mesmo nas (poucas) cenas de diálogo. O filme só não é absolutamente ruim por conta da produção artística, que realmente torrou uma fortuna de orçamento com carrões caríssimos (de Ferrari pra cima), mansões, casas de praia, locações de tirar o fôlego, figurinos de alta costura, enfim, tudo do bom e do melhor. Ao menos alguém parece ter trabalhado nesses dois anos de produção.



A única razão de ‘365 Dias: Hoje’ existir parece ser funcionar como uma pimenta caliente nas noites dos assinantes da Netflix. Dê o play quando o ou a crush chegar na sua casa e aproveite o entretenimento.

 

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