Crítica | ‘O Mandaloriano e Grogu’ joga no seguro e não justifica a própria existência

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CríticasCrítica | 'O Mandaloriano e Grogu' joga no seguro e não justifica a própria existência

A saga ‘Star Wars’ teve início em 1977 e ganhou vida através da genialidade de George Lucas, que, à época, não tinha ideia de que cimentaria um dos maiores e mais prestigiados universos da cultura pop. Desde então, o longa-metragem que acompanhou Luke Skywalker em sua batalha contra as forças do mal transformou-se em uma franquia multimidiática que conta com videogames, séries e romances, continuando a inspirar os fãs. É claro que, como toda produção audiovisual, esta aqui também conta com altos e baixos, singrando de aclamadas incursões como ‘Rogue One’ e ‘Andor’ até decepções como ‘Solo: Uma História Star Wars’ e ‘O Acólito’, apenas a encargo de exemplificação.

E, sete anos depois de ‘A Ascensão Skywalker’, que finalizou a saga Skywalker nas telonas, somos convidados a retornar aos cinemas com o filme derivado ‘O Mandaloriano e Grogu’. O projeto funciona como uma sequência da elogiada série ‘The Mandalorian’, estrelada por Pedro Pascal – que inclusive conquistou várias indicações e prêmios por seu trabalho como Din Djarin e funciona como uma história solo que investe ainda mais esforços na relação entre o caçador de recompensas conhecido como o Mandaloriano e seu adorável e poderoso discípulo, Grogu. Porém, apesar das boas intenções, o longa-metragem não se sustenta com a narrativa e não consegue justificar a própria existência.

Na trama, com a queda do Império Galáctico, a ascensão da Nova República garante que a democracia seja respeitada. Todavia, alguns senhores da guerra que apoiavam o antigo regime continuam espalhados pelo universo, utilizando de seu poder e de sua influência para angariar aliados e colocar a frágil paz em risco. Para tanto, Mando e Grogu são escalados para caçar os dissidentes, impedindo que seus planos se concretizem. Em mais uma missão, a líder dos Rangers de Adelphi da Nova República, Ward (Sigourney Weaver), pede que a dupla resgate Rotta the Hutt (Jeremy Allen White), filho do famoso gângster e criminoso Jabba the Hutt que foi sequestrado. Em troca, seus tios, conhecidos como “Os Gêmeos”, irão fornecer informações valiosas sobre um alvo inimigo.

Mando e Grogu, então, partem em busca de Rotta e descobrem que ele é a “atração principal” de um ringue de luta comandado por Janu (Jonny Coyne), líder de uma das facções remanescentes do Império Galáctico e o alvo que a Nova República vinha procurando. Lá, Rotta se transformou em um poderoso gladiador e, preparando-se para sua luta final, percebe que Janu deseja entregá-lo de bandeja à morte ao escalar algumas das criaturas mais perigosas do cosmos para que ele as enfrente. Eventualmente, Mando consegue tirá-lo de lá e descobre que os Hutt estão trabalhando para os seguidores do Império, vendendo informações falsas ou alertando-os com antecedência dos planos da República – levando-o a uma jornada ainda mais perigosa para desmantelar os traidores.

Apesar da narrativa parecer muito intrincada, o trio de roteiristas formado por Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor atenua bastante a temática política e converte a essência de ‘Star Wars’ em uma história simples e trivial que mais foca no estilo do que no conteúdo. Em outras palavras, o denso teor que já vimos em produções anteriores da franquia, como ‘Andor’ e ‘A Ameaça Fantasma’, é deixada de lado em prol de um filme de aventura que não traz nada de novo ao gênero e que funcionaria melhor como uma temporada extra da série original ou até mesmo um capítulo filler para encerrar a jornada dos protagonistas titulares.

Pascal faz um bom trabalho ao retornar como Din Djarin, oferecendo algumas camadas extras ao personagem à medida que se mantém fiel à complexa personalidade apresentada em ‘The Mandalorian’, navegando por um misto de ceticismo e altruísmo que traz ritmo ao enredo e dividindo os holofotes com a bem-vinda presença de Grogu; Allen White traz uma versão espacial de Apollo Creed aos cinemas ao viver à sombra do pai e, ao mesmo tempo, mostrando que não é igual aos outros Hutts e que quer deixar um legado muito diferente do de Jabba; e é sempre bom ver Weaver nos agraciando com seu carisma, por mais que suas cenas sejam pontuais.

Favreau, que também assume a cadeira de direção, constrói um espetáculo visual que precisa ser conferido na melhor tela e com o melhor som – mas, ao nos engolfar em mais uma ramificação desse expansivo universo, se esquece de construir uma história que seja de fato proveitosa, apoiando-se na nostalgia em detrimento da originalidade. É claro que as boas intenções estão ali, mas não podemos deixar de sentir um gostinho amargo de frustração conforme os créditos finais sobem em tela, pensando que o encerramento de Mando e Grogu tinha tudo para ser bem mais memorável.

‘O Mandaloriano e Grogu’ tem grandes chances de agradar aos inveterados fãs de ‘Star Wars’, porém, deve dividir a audiência por não saber exatamente o que fazer com o que propõe – destituindo os ótimos aspectos da franquia sci-fi e jogando no seguro com um “arroz com feijão” de pouco mais de duas horas de duração.

Lembrando que o filme tem estreia marcada para o dia 21 de maio nos cinemas nacionais.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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