Crítica | 4ª temporada de ‘Bridgerton’ é a melhor da série até agora

‘Bridgerton’ é uma das produções mais populares do extenso catálogo da Netflix – e o motivo parece óbvio: ao nos levar a uma viagem revisionista pela Era da Regência em uma Inglaterra em polvorosa, a adaptação da saga literária de Julia Quinn imediatamente conquistou o público ao apresentar a família Bridgerton e de que forma cada um de seus membros encontrou amor na vida, perpassando por obstáculos constantes e forçados a cumprir as normas sociais da época. E, apesar de alguns deslizes aqui e ali, a natureza encantadora da série permanece mais forte do nunca.

E foi assim que adentramos a tão aguardada 4ª temporada da atração. Depois de acompanharmos as histórias de Daphne e Simon, Anthony e Kate, e Colin e Penelope, chegou a hora de sermos reintroduzidos ao irmão boêmio da linhagem Bridgerton: Benedict (Luke Thompson). Estreando como a “ovelha desgarrada” e um sonhador natural, Benedict sempre teve um dom para remar contra o que lhe era imposto, e acreditava piamente que nunca encontraria o amor como o restante de sua família por não se ver atado a convenções que sempre foi obrigado a seguir. Porém, em um baile organizado pela mãe, Violet (Ruth Gemmell), o rapaz cruza caminho com uma dama de prata mascarada que parece enfeitiçá-lo no momento em que repousa os olhos sobre ela.

Eventualmente, a jovem misteriosa deixa o evento antes de dizer a Benedict quem é, levando-o em uma busca para encontrá-la. Porém, mergulhados em uma remodelação do clássico contos de fadas ‘Cinderela’, o destino incerto dos nossos heróis é colocado em xeque quando descobrimos que a dama, na verdade, é uma aia chamada Sophie Baek (Yerin Ha), que trabalha para Lady Araminta Gun (Katie Leung), uma impiedosa viúva que também é madrasta de Sophie. Após a morte do Conde de Penwood, Araminta decidiu manter a enteada em sua casa, transformando-a em criada e rebaixando-a de classe social para que as duas filhas de sangue tivessem chance de brilhar na high society.

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A partir daí, as tramas do destino começam a se tornar mais emaranhadas quando Benedict, procurando o que acredita ser a única mulher capaz de mudar sua natureza desinibida e inconsequente, se vê na propriedade Penwood para encontrar ao menos uma pista do paradeiro de Sophie. Após ser expulsa da casa pela madrasta, a jovem volta a encontrar Benedict em uma estalagem, e a narrativa os coloca em rota de colisão iminente à medida que explora o dilema entre as imutáveis engrenagens sociais que os impedem de ficar juntos, e o amor incondicional que torna a tarefa de se afastarem um do outro mais impossível dia a dia.

Nosso foco de atenção é, de imediato, transferido para a incrível performance tanto em conjunto quanto solo do casal protagonista. Thompson já havia nos encantado com suas breves aparições nas temporadas anteriores, ganhando um merecido protagonista que desconstrói concepções antiga sobre seu caráter “ambíguo” e infundindo-o com uma complexidade inescapável, que o coloca em conflito com a própria moral e com tudo o que lhe foi ensinado a vida toda. Ha, por sua vez, é um deleite de ver em quaisquer cenas em que está, singrando pela modéstia e pela humildade inerentes de Sophie em uma dança entre a conformidade e a tristeza, o desejo e a paixão – e, quando reunidos, a dupla irrompe em chamas e nos engolfa em uma inebriante história de romance.

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Mesmo destrinchando-se em muitos núcleos, a iteração em momento algum perde dinamismo ou ritmo, ou se apressa para resolver as tramas com conclusões ocasionais e frenéticas. Cada personagem tem seu momento para brilhar, com destaque aos crescentes laços afetivos que Violet constrói com o charmoso Marcus (Daniel Francis), o tocante tour-de-force enfrentado por Francesca (Hannah Dodd) e John (Victor Alli), e os atritos da amizade de longa-data entre Lady Danbury (Adjoa Andoh) e a Rainha Charlotte (Golda Rosheuvel), apenas para citar alguns. E Leung, escalada como a antagonista principal dos novos episódios, faz um trabalho primoroso ao trazer elementos de perigo a uma contida Femme fatale que traz semelhanças a Lana Parrilla em ‘Once Upon a Time’, desde a entrega das falas aos estonteantes figurinos.

Um dos pontos de maior sucesso do quarto ciclo é a maneira como o criador e showrunner Chris Van Dusen volta a acreditar na mágica e inspiradora essência da atração após ter “perdido a mão”, por assim dizer, tanto no ano anterior quanto no retrasado. Aqui, ao mergulhar na ideia do amor impossível que prevalece e que supera as incontáveis atribulações, Van Dusen se alia a um time de diretores e roteiristas que aposta em construções shakespearianas e fabulescas para aproximar passado e presente em um delicioso anacronismo narrativo que nos conquistou desde a estreia da série, há mais de meia década.

‘Bridgerton’ retorna com uma belíssima e narcótica temporada que resgata as glórias da adaptação em uma envolvente, sedutora e emocionante jornada que toma riscos maiores e mostra que o universo criado por Julia Quinn ainda tem muitas histórias para nos contar.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.