A 5ª temporada de ‘The Boys’ vem se mostrando como um sólido final para uma das produções mais aclamadas da televisão contemporânea (ou neste caso, do streaming). Elevando os comentários sarcásticos e assustadoramente verossimilhantes à enésima potência, o ciclo de encerramento vem se aprofundando na ascensão do autoritário Capitão Pátria (Antony Starr) ao controle dos Estados Unidos, destruindo todos aqueles que não se submetem às suas vontades e ao seu poder, enquanto Billy Bruto (Karl Urban), Luz-Estrela (Erin Moriarty) e os outros procuram incessantemente por um vírus que pode derrotar todos os super-heróis e impedir que o império fascista do Capitão se concretize.
Ao longo dos anos, o mote de que “nenhum super-herói deveria existir”, como proferido por Billy diversas vezes, ganhou uma profundidade avassaladora dentro do universo de ‘The Boys’ – e o mais recente episódio talvez seja a maior prova disso. Aqui, o diretor Phil Sgriccia e a roteirista Judalina Neira criam várias cenas antológicas que convergem para um mesmo ponto, navegando entre o presente e o passado para trazer mais detalhes do que o grand finale da série nos aguarda. Através de pequenos excertos narrativos, “One-Shots”, como é intitulado capítulo, mostra que ninguém está a salvo do complexo de divindade do Capitão Pátria e que todos estão correndo contra o tempo para impedir que ele atinja seus objetivos.
A iteração tem início com Espoleta (Valorie Curry) confrontando mais uma vez seus próprios ideais quando é visitada pelo ex-reverendo da igreja que frequentava, que foi vandalizada pelos seguidores do Capitão Pátria após se recusarem a seguir os dogmas da Igreja Democrática da América. Tentando relembrá-la dos ensinamentos que passou a vida seguindo, Espoleta percebe que não existe escapatória quando um déspota controla cada passo de sua vida – e se vendo em um discurso difamatório contra o próprio reverendo a pedido de seu novo deus. Aqui, Curry talvez tenha entregado sua melhor performance na série ao saber dosar com cuidado uma alienação moral autodestrutiva e uma trágica compreensão de que ela não tem mais controle de nada (o que antecipa sua inescapável ruína).
Um dos outros destaques do episódio vai para o breve arco envolvendo Mana Sábia (Susan Heyward), que revela seus verdadeiros planos ao ter se aliado com o Capitão Pátria: um confronto sangrento entre humanos e supers que culminará numa extinção em massa, deixando apenas ela e seu então satisfeito desejo de vingança em repouso. E, é claro, não podíamos deixar de comentar da tão aguardada reunião de ‘Supernatural’ quando Capitão Pátria e Soldier Boy (Jensen Ackles) visitam o Senhor Maratona (Jared Padalecki), Malquímico (Misha Collins) e seus amigos em uma suntuosa mansão em busca do V1 – o composto modificado que pode garantir imortalidade ao Capitão.
A sequência em questão é uma das mais excêntricas e exageradas não só do episódio, mas da temporada. Temendo as contínuas ações opressoras do Capitão, Maratona e Malquímico bolam um plano para poder deixá-lo inconsciente e tentam convencer Soldier Boy a matá-lo, garantindo que não há outra saída além dessa. Porém, ele se recusa a ajudá-los e dá início a um massacre literalmente visceral e que, em meio a uma proposital intenção de desequilíbrio e caos, funciona em meio a excessos e nos deixa atônitos. E, como a cereja do bolo, temos uma breve subtrama que explora a insana mente do buldogue Terror e sua obsessão doentia pelo Capitão Pátria.
Como é possível ver, Neira tem plena noção da insana história que cria e faz isso com um talento indesculpável e que não pensa duas vezes antes de apostar no bizarro. Combinando os dinâmicos diálogos às contundentes performances do elenco, encontra-se o drama e o desespero de um jogo político interminável e prestes a romper em uma torrente de sangue – e, com isso, a qualidade da temporada mantém-se altíssima e nos deixa cada vez mais intrigados para ver o que esse insano time nos preparou.
Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia amanhã, 6 de maio.



