Aquela prazerosa expectativa de clichê romântico que invade a nossa mente – nos transportando para um outro tempo, é a tônica de ‘A Hipótese do Amor’, nova comédia romântica da Prime Video. Adaptando para as telas o best-seller de Ali Hazelwood, a produção carrega em si o tipo de conforto que só esse gênero é capaz de sempre nos proporcionar. Entre desencontros amorosos, amizades inspiradoras e dilemas éticos e morais que se desdobram em situações cômicas, ali existe também uma história doce. Aconchegante com uma bebida quente e sem o peso de ser séria demais, ela está disposta, entregue aos corações mais carentes por otimismo em meio a tanto niilismo cinematográfico.

E como uma boa e velha romcom dos anos 90 e 2000, ‘A Hipótese do Amor’ não está interessada em reinventar a roda e tão pouco em se estruturar como um filme indie. Navegando entre os estereótipos do gênero e os clássicos amores improváveis que marcaram as melhores histórias como ‘Grande Menina, Pequena Mulher’, ‘A Filha do Presidente’ (a versão de 1998), ‘O Amor Não Tira Férias’ e ‘Como Perder um Homem em 10 Dias’, o longa dirigido por Claire Scanlon opera entre as fórmulas popularesca, não nega suas raízes e nos fisga por justamente entregar aquilo que mais buscamos: um amor que no fim dá certo.
Com Lili Reinhart tentando esconder seu brilho natural para dar vida à socialmente desajeitada Olive, a comédia se encontra ao encaixá-la facilmente com Tom Bateman, ator britânico de traços robustos, altura invejável e maxilar imponente. Juntos, eles formam um atípico casal que descobre o amor em meio a um estabanado acordo por conveniência, resgatando a piegas dinâmica de inimigos-para-amantes, da qual nossos corações apaixonados são incapazes de escapar.

E com um elenco de coadjuvantes que passeia pela trama com carisma, boas atuações e arcos relativamente bem apresentados, a nova adaptação da Prime Video nos entrega exatamente o que pedimos, com o mesmo sabor que ainda guardamos da primeira vez que assistimos aqueles clássicos citados. Construindo sua protagonista com leveza e nos apresentando sua devota amizade com a melhor amiga (vivida por Rachel Marsh) com delicadeza, apresentando seu valor de forma substancial, ‘A Hipótese do Amor’ não comete os mesmo erros das poucas romcoms lançadas no final da última década.
Adaptando o material original com clareza, embora opte por descartar alguns detalhes e personagens, o filme ainda nos surpreende com seu toque dramático, à medida em que explora o peso das relações de trabalho no universo acadêmico. Mas sem perder a doçura que uma história como essa carrega em sua essência, ‘A Hipótese do Amor’ se encerra como uma inspiradora reflexão sobre pertencimento e ambição. Ela mais ainda, encontra sua força na confiança de que não pretende ser mais do que é: uma deliciosa comédia romântica que resgata aquilo que o próprio cinema tanto esqueceu ao abandonar o gênero.


