Batendo na tecla – de forma contundente – em torno de uma temática sobre responsabilidade moral, chegou na Netflix uma minissérie intrigante que se debruça no imprevisível ao abraçar seu mistério a partir de um meticuloso olhar para o ambiente onde se desenrola. Sob o ponto de vista de uma curiosa protagonista, a produção dinamarquesa A Reserva anda pra frente, apresentando a cada episódio fatos importantes para a resolução de seus mistérios.
Um bairro dominado pela elite. As verdades de uma vida de aparências. Uma juventude mimada e perturbada. Uma mulher de negócios casada com um advogado de passado polêmico. O papel da mãe e a educação dos filhos. As incertezas e surpresas no sumiço de uma imigrante filipina. Esses são alguns dos elementos que compõem um roteiro muito bem escrito que avança em suas questões de forma profunda.

Cecilie (Marie Bach Hansen) leva uma vida aparentemente perfeita, dividida entre a carreira de sucesso, o conforto da vida de luxo e um casamento estável com Mike (Simon Sears). Em sua rotina, conta com a confiança e o apoio da dedicada au pair Angel (Excel Busano). No entanto, tudo começa a mudar quando uma jovem imigrante filipina que trabalha para os vizinhos bilionários desaparece misteriosamente. Intrigada, Cecilie se vê envolvida em uma jornada de revelações inesperadas que abalarão suas certezas e transformarão profundamente seu destino.

Em poucos minutos do primeiro episódio, já entendemos que veremos o destrinchar de uma observação crítica da bolha da alta classe social. Além disso, o projeto levanta importantes reflexões sobre a responsabilidade moral e nos conduz a debates altamente relevantes, como a educação dos filhos e o trabalho imigrante, em uma Europa cheia de questões em torno desse último ponto.

Sobre a relação pais e filhos, um leque de situações nos levam até reflexões sobre a maternidade nos nossos tempos e as atenções com os perigos contemporâneos – acesso ilimitado e sem controle das redes sociais, por exemplo. Já em relação ao trabalho migratório, há uma questão levantada que nos leva até uma pergunta em forma de crítica social: o programa Au Pair é de fato uma troca cultural ou apenas uma forma disfarçada de exploração através de uma mão de obra barata?

A criadora e uma das roteiristas da série, a dinamarquesa Ingeborg Topsøe, veio do universo da filosofia e depois se jogou numa especialização em escrita criativa. Inclusive, no seu primeiro projeto audiovisual, o curta-metragem Volume, competiu pelo Grande Prêmio do Júri de Curtas-Metragens no Festival de Cinema de Sundance (12 anos atrás). Ao assistirmos a essa série, já criamos curiosidade sobre seus outros trabalhos.
A Reserva está completinha lá na Netflix. Uma minissérie interessante, com um desfecho chocante, que alcançou o Top1 da plataforma aqui no Brasil. Se eu fosse você, maratonava!
