Em meio ao aniversário de 20 anos de duas das maiores franquias cinematográficas – O Senhor dos Anéis e Harry Potter -, o gênero épico/fantasia retorna para as telinhas com um novo vigor, sob a lembrança ainda recente do sucesso de Game of Thrones. E A Roda do Tempo, em toda sua imensidão de conceitos que flertam com a filosofia, paganismo e até mesmo Cristianismo, chega à Prime Video como uma promessa cara, um suntuoso espetáculo visual de efeitos visuais e paisagens exuberantes que contrastam com a magia de um mundo cheio de possibilidades.

E Rafe Judkins acerta em seu valor de produção. Com a fonte inesgotável de Jeff Bezos à sua disposição, ele faz da saga literária um universo cativante – mas que ainda carece de uma boa dose de encantamento. Na trama, Moiraine (Rosamund Pike) embarca em uma missão perigosa, em que deve encarar o cumprimento de uma profecia que vai determinar os rumos da humanidade. Aqui, o clássico combo bem vs mal entra em cena, reunindo ainda uma série de pequenos grandes conflitos que permeiam a trama até o último episódio da primeira temporada.

O problema de A Roda do Tempo reside em sua narrativa pouco envolvente. Lindamente desenhada e enérgica em episódios que abusam das suas cenas de ação, a série ainda não possui aquele fator especial que a destaque de tantas outras do gênero épico. Com personagens que não nos afeiçoaram o suficiente para nos importarmos com seus arcos, a produção exala um potencial grandioso pelos poros, mas ainda precisa engrossar o seu caldo, a ponto de nos absorver em suas subtramas.



Com um enredo um pouco mais genérico, a primeira temporada da série peca por nos apresentar a vários elementos da sua mitologia, deixando pouco espaço para destrinchar a psique de seus personagens. Sabemos sobre sua jornada, entendemos os seus conflitos com ela. Mas a essência de cada arco individual ainda segue de forma superficial, ganhando mais corpo e vigor já nos três últimos episódios. E por não se aprofundar nesse aspecto logo de cara, A Roda do Tempo corre o risco de se tornar uma experiência televisiva incompleta, que nos instiga em seu primeiro capítulo, mas gradativamente nos deixa à deriva.

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Ainda assim, a série baseada na longeva saga de livros de Robert Jordan é um deleite para os olhos. Com uma fotografia bucólica que exala a mesma leveza solar que vez outra testemunhamos também em O Senhor dos Anéis, A Roda do Tempo é dinâmica em seu design de produção, fazendo excelentes contrastes entre tons quentes e frios, que dosam bem a atmosfera da narrativa. E com ótimos efeitos visuais que tornam a magia da trama palpável, a produção tem todos os elementos para ser uma jornada promissora. Entre erros e acertos, essa é uma experiência que acende uma fagulha na audiência. Mas para ela continuar viva e ardente, a tal roda do tempo ainda precisa acertar o seu rumo no universo das telinhas.

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