Acordar Negro’, de 2018, acaba de ser disponibilizado no Amazon Prime e está dando o que falar por seu visual Filme B atrelado a uma história pouco inspirada baseada em um roteiro de fazer rir, mesmo o filme sendo um terror dramático que se leva a sério.

A Dra. Luiza Moreira (Nana Gouvêa) é uma pesquisadora muito desconfiada de uma onda de bizarrices que anda rolando na costa dos EUA, com pessoas sendo encontradas agindo de maneira estranha, não falando nada com nada e, pra piorar, essas pessoas estão entrando em contato com uma criatura negra rastejante que, ao adentrarem no corpo do novo hospedeiro, faz a cabeça da pessoa explodir. Ao mesmo tempo, a Dra. Luiza também é mantida em uma espécie de cativeiro laboratorial, pois a própria instituição para a qual trabalha também monitora e estuda suas movimentações dentro do prédio.


São tantos pontos curiosos em ‘Acordar Negro’, que fica até injusto selecionar apenas alguns para esta crítica.

Primeiramente, é importante esclarecer que, apesar do título, o longa nada tem a ver com as questões raciais. E que apesar de ter a atriz Nana Gouvêa como protagonista, é uma produção estadunidense, com um elenco daquele país e todo falado em inglês. Além disso, embora diga-se uma obra com uma hora e quarenta e seis de duração, na verdade o filme tem uma hora e dezenove minutos (puxa!), todo o resto é cenas de erros de gravação intercaladas com os créditos.

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Mas a língua não é a barreira em ‘Acordar Negro’, e sim as atuações, bastante contidas, mecanizadas. Nana Gouvêa passa a maior parte do longa desabafando para a câmera, narrando os acontecimentos das investigações científicas, pois, supostamente, a personagem está gravando um vídeo sobre sua pesquisa. Dá uma sensação de reunião do meet com a personagem, cuja cadência e insegurança em pronunciar as palavras da língua estrangeira não passa despercebida. O elenco estadunidense, por sua vez, parece despreparado e nervoso em seus papeis; exceção apenas para os zumbis, que se arrastam e vagueiam com muita coerência.

O roteiro de Jerry Janda,Carlos Keyes e Jeremiah Kipp é frágil e insólito. Na verdade, parece que um deles escreveu o monólogo da Dra. Luiza e o outro se dedicou escrever as cenas de narrativa em off, dos episódios do surto zumbizônico na cidade. Por fim, a direção de Jeremiah Kipp busca referências em longas como ‘A Bruxa de Blair’ com um toque do sombrio Lovecraft, porém, apesar do seu experimentalismo estético, a história de seu ‘Acordar Negro’ não prende.


Por outro lado, a equipe técnica de maquiagem e de efeitos especiais mandou bem, de modo que as olheiras, as explosões de cabeças e a tal criatura que causa todo esse auê foram bem produzidas e conferem alguma qualidade ao longa. Mas, então, vem a própria Amazon Prime, novamente com seu problema de legenda. Não dá para entender por que uma plataforma tão grande como a Amazon não sequer revê o texto que é inserido nas legendas – com erro de digitação, de tradução ou simplesmente desistindo de traduzir certas palavras. A empresa precisa dar a devida atenção ao serviço prestado.

Se ‘Acordar Negro’ não se levasse tão a sério, o espectador poderia se divertir mais com a proposta. Como produção, mostra que é possível fazer um longa-metragem com baixo orçamento e poucas locações; como produto, não agrada.

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