Crítica | Albatroz – Viagens Alucinantes na ficção nacional com grande elenco

Crítica | Albatroz – Viagens Alucinantes na ficção nacional com grande elenco

Nota:

Maníaco

Dirigido por Daniel Augusto (Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho) e com roteiro de Bráulio Mantovani (Cidade de Deus e Tropa de Elite 1 e 2), Albatroz é um filme ambicioso, que desafiará ao máximo a identificação com o grande público. Trata-se de uma história praticamente abstrata, no melhor clima de Maniac, série da Netflix com Jonah Hill e Emma Stone. Para saber se o filme atiçará seu paladar, basta saber sua reação ao programa citado.

O que faz sentido em Albatroz são os pequenos trechos e cenas separadas, todas muito identificáveis e lidando com os relacionamentos do protagonista Simão (vivido de forma empenhada pelo talentoso Alexandre Nero). O sujeito é um tarimbado fotógrafo celebridade, ganhador de prêmios. Caso quisesse ser outro filme, Albatroz poderia concentrar-se no embate entre o protagonista e as muitas mulheres de sua vida, que serviram para moldá-lo ao longo de sua trajetória. Sim, o filme fala sobre isso, mas também fala sobre muito mais.

Num plano geral maior, a obra do diretor Augusto é tão ambiciosa que ultrapassa a tênue linha, recaindo em subgêneros dos quais o grande público não está acostumado e ainda cria barreira em aceitar – como a ficção científica e a fantasia. O longa tem altos conceitos inerentes ao cinema independente, que geralmente se tornam cult, porém, esta é uma produção mainstream mirada ao grande público – que lota os multiplex de shopping. A investida não deixa de ser corajosa, já que sempre pedimos por outros gêneros no cinema comercial brasileiro.

O que funciona e muito bem no filme são suas interações humanas, todas favorecidas por grandes intérpretes e suas performances. Simão tem um rastro de mulheres interessantes em sua vida, embora algumas beirem a psicopatia: em especial Alícia (Andrea Beltrão), sua vingativa primeira namorada de adolescência. Beltrão tem a personagem mais difícil em mãos, a que fica na beira do abismo da sanidade, muitas vezes (ou todas) recaindo na loucura. Com sua xará Andréia Horta (Elis) realiza algumas das cenas mais ousadas e explícitas do longa, mas tudo como pano de fundo para elementos de surrealismo – dos quais fazem parte também a ponta de Marcelo Serrado.

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Com a Catarina de Maria Flor, vem o relacionamento mais sincero. Aliás, é o desaparecimento da moça que ativa o gatilho e dá o pontapé para a insana história. O relacionamento dos dois é crível e carrega sua carga de drama de forma equilibrada. Já com Renée (Camila Morgado), o envolvimento é de pura adrenalina e aventura, com direito a viagens exóticas e questionamentos sobre sua postura profissional e ética.

É louvável também o escopo da produção, o brincar com as fortes luzes azuis e vermelhas, por exemplo (novamente remetendo ao seriado da Netflix). A direção de arte e efeitos igualmente são de primeira, exaltando o trabalho minucioso de nossos profissionais.

A verdade é que nenhuma sinopse fará jus a Albatroz. É ver para crer. A confusão é compreensível, já que o filme de Augusto nos leva por uma montanha russa sem aviso prévio, numa era em que o espectador cada vez mais quer tudo mastigado, inclusive antes de adentrar a sessão. Em certos aspectos, podemos comparar Albatroz ao recente Calmaria, com Matthew McConaughey e Anne Hathaway – igualmente um ludibriador potente em questão de nos puxar o tapete. A grande diferença aqui, é que quando esses dois longas precisam mesclar o real ao imaginário, Albatroz o faz de forma mais competente, ligando seus pontos de forma menos óbvia e abraçando mais a loucura.

Seja como for, Albatroz recai na categoria de filmes “dois por um” ou “parece mais não é”, no qual o espectador pode considerar estar levando gato por lebre.


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