Quando Ariana Grande lançou seu primeiro álbum de estúdio, ninguém imaginaria o impacto que a ex-integrante do grupo Nickelodeon causaria ao revitalizar a até então perdida estética do R&B, que se valia das glórias de um passado não muito distante. E, enquanto vários acreditavam que o sucesso imediato da produção seria momentâneo, Grande demonstrou uma versatilidade gigantesca ao crescer exponencialmente com produções impecáveis, variando desde o mais bubblegum pop de Dangerous Woman até o competente amadurecimento de ‘Thank U, Next’ (seu álbum mais aclamado até então).

Não é surpresa que, quando a performer anunciou que retornaria aos holofotes com o single positions, primeiro de sua nova era epônima, nossos alarmes já acenderam para uma possível reinvenção e uma incursão que talvez se mantivesse atada aos estilos explorados em suas iterações anteriores ou talvez transgredisse as expectativas de sua expansiva legião de fãs. O resultado, que foi lançado hoje, 23 de outubro, em território nacional, não poderia ter sido diferente: a primeira música promocional do novo capítulo da carreira de Ariana é uma sutil carta de amor a todos que ficaram ao lado dela desde seu conturbado e comedido início até a conquista do mundo – e de uma série de recordes e aclamações críticas.

A faixa, que é um forte lead single para seu sexto e vindouro álbum de estúdio solo, é precedida pelas deliciosas inflexões ao house de “Rain On Me”, parceria de extremo sucesso com a titânica Lady Gaga – e um indicativo errôneo do que Grande estaria guardando para os ouvintes. Na verdade, a premiada canção supracitada foi apenas uma demonstração de sua versatilidade artística, culminando no retorno para a amálgama irretocável do trap com o hip-hop e para um retorno reverenciado aos seus outros momentos na indústria fonográfica – mais precisamente, para os CDs mencionados acima (lançamentos de 2013 e 2016). Através de uma explícita e sensual jornada que a faz recuperar um controle corporal-mental, a narrativa abre com as minimalistas notas de um ecoante violão, que logo se rendem à familiar batida do trap-pop, com suas voltas e seus drills que tomaram conta do cenário musical nos últimos três anos.

Honestamente, Ariana conseguiu construir um espaço sólido o suficiente para se afastar dos costumeiros retornos à época discriminada entre os anos 1970 e 1990, ainda assim fazendo questão de formular uma track nostálgica e narcótica – fosse pelo recuo de seu soprano lírico e pela bem pensada métrica supervisionada por Mr. Franks, que resgata trabalhos com Jennifer Lopez e Chris Brown para essa espetacular entrega.



De certa forma, positions propositalmente não explora todo seu potencial no primeiro arco, tangenciando com sabedoria certas fórmulas do mainstream – como o crescendo instrumental – para concentrar todos os esforços ao segundo bloco (e permitindo que a artista tome controle de cada aspecto técnico). Franks utiliza o abafamento e a breve dissonância de certas melodias como modo de aproximação de faixas como “I Don’t Care” e “Let Me Love You”, da mesma forma que pavimenta um caminho recheado de camadas vocais múltiplas e respostas imediatas de “boyfriend” (uma das melhores colaborações do ano passado).

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Conforme nos aproximamos do grand finale de uma das melhores canções do ano – e, dentro dos limites que se autoimpõe, de uma sinestésica e impactante reflexão amorosa -, automaticamente queremos apertar o play de novo e perceber as minúcias escondidas ao longo de seus quase três minutos e como os cuidadosos detalhes se unem em uma exuberante e chamativa arquitetura musical.

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