Brincando com o imaginário infantil a partir de uma fórmula que pode até parecer piegas, mas não deixa de funcionar, Como Cães e Gatos 3 tem atravessado as décadas como uma franquia que entende o seu público e continua investindo nele. Com narrativas simples que capricham mais na parte de efeitos práticos e adestramento de seus animais – para que eles se desenvolvam em tela a la humanos, a saga animal segue os caminhos de outras produções do gênero infantil que se imortalizaram nos anos 90, como a série As Aventuras de Wishbone (1995-1997), Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995), Olha Quem Está Falando Agora (1993) e A Incrível Jornada (1993).

Despretensioso e com uma linguagem simples, o novo longa de Sean McNamara não se destina à aclamação da crítica e tão pouco está preocupado com isso. Como um puro entretenimento familiar que segue a rota desse subgênero traçada no passado, a produção se comunica bem com os filmes deste tipo que configuraram o imaginário infantil durante a nossa infância. E dessa forma, ele funciona como uma pequena epifania para os jovens e adultos que cresceram apaixonados por Babe e por Olha Quem Está Falando Agora, à medida que se entrega nos braços da nova geração de crianças, que assim como a nossa, terá um divertido e pueril filme-bichano para chamar de seu quando crescer.

Trazendo uma narrativa que busca engrossar o seu caldo com pequenos dramas familiares que de fato são bem reais – mas pouco empáticos, Como Cães e Gatos 3: Peludos Unidos! busca proporcionar uma experiência confortável no sofá para famílias enclausuradas em um contexto que ainda respira em meio a uma pandemia mundial. E como um divertimento familiar que não exige absolutamente nada da sua audiência, a comédia com animais falantes cumpre o seu papel – ainda que tenha suas falhas. Em se tratando de termos técnicos, a curta produção patina em um roteiro banhado a clichês e atuações fracas. Mas convenhamos, quem aqui assiste um filme como esse pelos humanos? Que venham mais cachorros falantes com óculos de grau, por favor.



Funcionando também como um ótimo prazer culposo para quem se diverte com bichos fazendo coisas de humanos nas telas, a comédia está, obviamente, bem longe do cânone de grandes lançamentos e também não é brilhante em sua construção. Ainda assim, o trabalho com animais reais, que desempenham acrobacias e movimentos que os humanizam em cena, é sempre louvável, dado ao grandioso e extenso esforço por trás das câmeras exigidos ao diretor e sua equipe de apoio técnico. Raso, bobo e cheio de pegadinhas que farão as crianças rirem, Como Cães e Gatos: Peludos Unidos! pincela rapidamente sobre a adoção de bichos, é inocente ao extremo e foca em uma nova leva de pequenos que, no futuro, talvez venham a se lembrar deste filme como nós nos recordamos de Babe – O Porquinho Atrapalhado.

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