Crítica | Upgraded: As Cores do Amor – Camila Mendes em ÓTIMA comédia do Prime Video com toques de ‘O Diabo Veste Prada’



Tudo começa com uma mentira.

Upgraded: As Cores do Amor’ é a mais nova comédia romântica do Prime Video e, conhecendo os clássicos convencionalismos desse gênero que tanto povos o cenário do entretenimento, o longa-metragem dirigido por Carlson Young consegue acertar as notas certas para transformar uma história que tinha tudo para ser clichê em uma divertida e inspiradora narrativa de amadurecimento que entrega exatamente o que promete – e que é guiada pela incrível performance de Camila Mendes (cuja carreira pós ‘Riverdale’ vem se mostrando bastante frutífera, ainda mais considerando sua recente participação no ótimo ‘Justiceiras’, ao lado de Maya Hawke).

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A trama acompanha uma jovem estagiária de uma casa de leilões chamada Ana Santos (Mendes), que se graduou em História da Arte e que parece não ter muita confiança em si mesma: apesar de ter um mestrado em sua carreira, ela está completamente endividada e vive com a irmã e seu noivo em um pequeno apartamento, onde é obrigada a dormir em um futon enquanto decide o que fazer. Sentindo-se um peso e lutando dia após dia para conseguir a chance de decolar no complexo mundo da arte, ela agarra uma oportunidade única quando encontra um erro crítico em um catálogo, levando sua chefe, a impiedosa Claire Dupont (Marisa Tomei), a chamá-la para Londres– ficando responsável por tarefas absurdas enquanto tenta impressioná-la ainda mais, além de lidar com as odiosas mean girls Amy (Saoirse-Monica Jackson) e Suzette (Rachel Matthews), as duas assistentes principais de Claire.

Amy e Suzette fazem de tudo para importuná-la, inclusive colocando-a na classe econômica de um voo de longas horas para deixá-la cansada e inapta a fazer seu trabalho. Porém, ela ganha um upgrade para a primeira classe e conhece o charmoso William Laroche (Archie Renaux), um rico publicitário inglês que acredita que ela é a chefe da casa de leilões – e, pensando que poderia aproveitar esse honesto equívoco, ela finge ser Claire e navega por um turbilhão de mentiras para garantir que tudo saia como o planejado. Em outras palavras, temos todos os elementos clássicos das rom-coms unidos em um universo envolvente, que traz elementos de ‘Cinderela’ a ‘O Diabo Veste Prada’, no romântico cenário londrino que aproveita a química dos atores para nos levar nessa singela viagem de pouco mais de cem minutos.

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Young, que ficou mundialmente conhecida por seu trabalho como Brooke Maddox na série ‘Scream’ (e que faz uma breve participação especial em uma das cenas), volta à cadeira de direção depois de ter comandado o terror ‘The Blazing World’ – diminuindo as ambições artísticas para jogar em território familiar e navegar com solidez por um gênero já explorado ad nauseam na sétima arte. O resultado é bastante positivo, principalmente ao se aliar com o roteiro de Christine Lenig, Justin Matthews e Luke Spencer Roberts, guiando-nos por uma clássica história de amor que, apesar de formulaica, é prática e convincente. É claro que temos tomadas conhecidas dentro desse escopo artístico, mas Young as abraça com tamanho carinho que podemos varrê-las para debaixo do tapete frente a uma íntegra investida que, em momento algum, quer dar um passo maior que consegue.

Todavia, é Mendes quem rouba a nossa atenção. Depois de ter dominado as telinhas ao interpretar Veronica em ‘Riverdale’ (um dos poucos pontos positivos dessa novelesca e canastrona série), ela vem demonstrando uma versatilidade invejável sem se render a exageros cansativos; pelo contrário, a atriz mostra que consegue fluir e dar originalidade a um enredo que não tem muito a nos contar – e faz isso dividindo os holofotes com a presença magnética de Renaux, com quem desfruta de um entrosamento apaixonante e que dá o gostinho de paixão de que precisávamos. Além disso, é preciso mencionar a forte presença de Tomei como uma releitura mais suave de Meryl Streep como Miranda Priestly, bem como a adição espetacular de Lena Olin como a excêntrica Catherine, mãe de Will.

Como é de costume, rom-coms partem de uma premissa bem clara e que não costuma fugir de obviedades. Temos o momento em que Ana se vê enclausurada em um ambiente de trabalho tóxico à medida que desenvolve um relacionamento com Will; pouco depois, ela começa a ter sucesso nas coisas que faz e, pela primeira vez, está feliz com a vida que outrora não aguentava ter; e, como parte de uma breve conclusão pré-terceiro ato em que tudo dá errado, Ana é desmascarada, perde o emprego, perde Will (e até mesmo senta em tinta fresca). Mas é claro que as coisas dariam certo e o desenlace final seria num tom positivo e esperançoso.

Upgraded: As Cores do Amor’ pode não ter muita profundidade ou ousar ir além do que consegue, mas cumpre com o que promete e explode em uma química apaixonante e envolvente que nos faz esquecer dos problemas estruturais. O filme é a pedida certa para assistir numa noite caseira – a não ser que você definitivamente não seja fã de comédias românticas.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.