Charli XCX tem tido uma carreira muito interessante desde que estreou no cenário musical em 2013 com o elogiado ‘True Romance’. Já tendo experimentado as vibrantes pulsões da cena rave da capital inglesa, Charli pertence a um grupo de jovens artistas que, na década passada, popularizaram os subgêneros conhecidos como PC music e hyperpop, trabalhando ao lado de nomes como A.G. Cook e SOPHIE para uma maximização exponencial do cenário mainstream em construções elaboradas e totalmente conceituais.
À medida que conquistou mais espaço na indústria do entretenimento, a cantora, compositora e produtora firmou uma identidade que chamou a atenção do público e da crítica, reinventando-se era após era, mas sem deixar de lado a essência do que vinha explorando. Não é surpresa que, em 2024, ela tenha atingido um novo ápice artístico com a expressividade idiossincrática e disruptiva de ‘BRAT’, que levou para casa nada menos que três estatuetas do Grammy Awards e foi nomeado como o melhor álbum do ano por diversos veículos de imprensa (além de aparecer na nossa clássica lista de fim de ano).
Depois de ser escalada para trabalhar na trilha sonora do remake de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ com o compilado de originais ‘Wuthering Heights’ (que uniu baladas românticas aos conhecidos toques do hyperpop e do synth-pop), Charli mostrou que estava pronta para embarcar em sua próxima era fonográfica, arriscando-se em um cenário diferente do que já esquadrinhara, mas sem abandonar os maneirismos pelos quais seus fãs se apaixonaram. E foi assim que surgiu “Rock Music”, uma música que entrega exatamente o que o título promete.
Acompanhado de um insano e irrefreável videoclipe, Charli adota sua persona rockstar para uma faixa que traz a urgência da guitarra elétrica em um electro-rock pulsante e irruptivo que é acompanhado do conhecido exagero dos sintetizadores que a artista emprega em suas canções – transformando os agressivos riffs do instrumento em um experimento sonoro que soa propositalmente autoconsciente.
Em outras palavras, os versos, assinado por Charli, Cook e Finn Keane, parecem triviais e banais, mas escondem uma certa melancolia que ganha espaço nos versos “acho que a pista de dança morreu, então estamos fazendo música rock agora”, indicando que a artista talvez tenha encontrado um ápice artístico no cenário pop que não acredita ser capaz de recriar (e aqui, refiro-me ao zeitgeist cultural que ‘BRAT’ se tornou, sendo até mesmo utilizado em campanhas políticas).
Infelizmente, detalhes sobre o novo compilado de originais da performer seguem sob segredo, mas de uma coisa temos certeza: Charli está apresentando ao mundo um novo lado de sua efervescente personalidade, e tudo isso sem deixar de lado o conhecido estilo sônico do hyperpop como força-motriz do que ela pretende nos entregar.


