Quando todo mundo é super-herói e tem superpoderes, o que de fato torna alguém um herói? Esse questionamento já havia sido levantado no primeiro filme da franquia animada ‘Os Incríveis’, da Disney, e ressurge agora, repaginada, no filme francês ‘Como Virei Super-Herói’, lançamento da semana na Netflix.

O policial Moreau (Pio Marmaï) é um sujeito meio mal-humorado que trabalha sozinho numa delegacia de Paris. Quando um incêndio acontece em uma boate, causando a morte de cinco pessoas, Moreau chega atrasado na cena do crime e, por isso, acaba tendo que trabalhar com uma nova parceira, Callista (Leïla Bekhti). Porém os dois começam a perceber que diversos super-heróis estão sumindo; curiosamente, os poderes deles são vistos sendo utilizados como armas por civis. Em um mundo em que os poderes são passados de pai para filho quando o genitor morre, a única explicação possível que Moreau e Callista entendem é que o sangue dos heróis está sendo contrabandeado por alguém nas ruas de Paris.

Diferentemente da animação da Pixar, ‘Como Virei Super-Herói’ se fundamenta na ideia de que quando se convive pacificamente com pessoas com poderes especiais, isso as coloca em vantagem com relação ao resto; a partir do momento em que os poderes delas passa a poder ser de alguma forma transferido – ainda que momentaneamente – para as pessoas comuns conseguirem resolver seus desafetos, a coisa toda provavelmente perderia o seu glamour e se tornaria um problemão para as autoridades locais. Razão pela qual, apesar do conceito, a linha narrativa deste filme seja construída pelo viés do suspense policial, não da aventura juvenil encabeçada pela Marvel.



Baseado no romance de Gérald Bronner, o roteiro de Cédric Anger, Melisa Godet e Charlotte Sanson em conjunto com o também diretor Douglas Attal propõe uma interseção entre a aventura heroica e o tom sóbrio do mundo adulto, buscando relatar muito mais o cotidiano do protagonista que vai se tornar um herói do que focar em cenas de super lutas com destruição de cidade. Então, como os heróis do filme não são esteticamente diferentes nem usam uniformes, sobrou para a galera dos efeitos visuais fazer a diferença – e, de fato, os efeitos são bem convincentes.

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Ainda que com um conceito interessante, o principal problema em ‘Como Virei Super-Herói’ é que ele não se decide sobre o que quer. Ao humanizar – até demais – os heróis (estes que deveriam ser seres inalcançáveis) se transformam em pessoas comuns, entediantes, que seguem uma rotina e sofrem de depressão e outras doenças. Assim, o longa gera uma confusão sobre se ele pretende aprofundar a reflexão social do tema ou se apenas está dando um pano de fundo triste para seus personagens. A começar pelo próprio protagonista, antipático mas que, durante o filme, sofre uma inexplicável (ou pouco trabalhado) transformação, em busca da redenção da empatia do espectador.

Esquisito, ‘Como Virei Super-Herói’ é um filme de super-herói diferente, sem grandes explosões e que apresenta um leque de personagens curiosamente interessantes. A julgar pelo sucesso que tem feito na Netflix – e pela cena pós-crédito – provavelmente ganhará continuação.



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