De uns tempos pra cá, a Netflix tem investido um bocado em produzir conteúdo baseado em ocorrências reais nos países em que tem alcance. É claro que a maior parte desse conteúdo é relativo a ocorrências nos Estados Unidos, mas vez ou outra a gigante do streaming consegue acertar o foco de suas lentes e trazer à tona histórias bizarras, que parecem ficção, mas que, infelizmente, ocorreram de verdade. Nessa pegada, assim como muitas outras séries já disponibilizadas na plataforma, chegou para os assinantes a minissérie ‘Conversando com um Serial Killer: O Palhaço Assassino’.

Estamos nos anos 1970. O mundo ainda vê com olhos estreitados a libertação sexual pregada pela juventude. É nesse ínterim que predadores como John Wayne Gacy se aproveitaram da situação para fazer suas vítimas. Por ser um grande empreiteiro do interior de Illinois, indo frequentemente para Chicago, John Wayne usava de sua posição para atrair jovens rapazes e homens para suas armadilhas – quase sempre levando-os para sua casa para longas conversas que adentravam a madrugada, regadas a muita bebida e que quase sempre enveredavam em violências sexuais. Invariavelmente subjugando os rapazes, Gacy abusava sexualmente deles e, em seguida, os matava. Tudo isso ocorreu ao longo de anos, e só foi ser descoberto muito tempo depois, quando mais de trinta corpos foram finalmente desenterrados de sua residência.



Condenado à morte nos anos 1990 e tendo tido a sentença cumprida, o grande diferencial em ‘Conversando com um Serial Killer: O Palhaço Assassino’ é que a produção traz à público, pela primeira vez, as fitas com as gravações da confissão de John Wayne Gacy. Através dos relatos soberbos do frio assassino, o público vai construindo sua própria opinião sobre o caráter desse indivíduo. Entretanto, a ausência de imagens de Wayne em movimento, falando, pesam contra a produção, que se resume em filmar um antigo toca-fitas reproduzindo as falas do assassino, intercalada com depoimentos e imagens de acervo.

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Dirigido por Joe Berlinger e dividido em três episódios com quase cinquenta minutos cada, ‘Conversando com um Serial Killer: O Palhaço Assassino’ podia facilmente ser enxugado para apenas dois episódios, ou simplesmente se transformar em um documentário em longa-metragem. A obrigatoriedade de seguir o formato das outras produções do mesmo núcleo ‘Conversando com um Serial Killer’ faz com que esta, em específico, se alongue por demais, causando, inclusive, a sensação de falta de material.

Assim, o primeiro episódio foca toda sua atenção em contar a história do sumiço de Rob Piest, um jovem atendente de 15 anos, e apresenta Gacy já condenado (algo que faz sentido para o público estadunidense maior de 50 anos, que vivenciou a tragédia in loco; para assinantes da Netflix de outros países ou outras idades, a coisa fica meio solta); o drama só começa a se desenrolar a partir do meio do segundo episódio, quando as características do assassino são de fato apresentadas. Até lá, pode ser que muita gente desista de continuar acompanhando.



Partindo de uma história muito particular dos EUA, ocorrida cinquenta anos atrás, ‘Conversando com um Serial Killer: O Palhaço Assassino’ joga luz sobre um perverso caso de como a homofobia causou a morte de mais de trinta rapazes naquele território, numa época em que não se falava sobre esse tema. Infelizmente, ainda é uma das maiores causas de homicídio no mundo, especialmente aqui no Brasil, e assassinos como John Wayne seguem soltos mundo afora.

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