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Crítica | Desejo Obsessivo – Minissérie CALIENTE da Netflix busca reflexões sobre uma obsessão


O estopim oriundo da obsessão e do desejo. Minissérie caliente que busca uma reflexão no campo emocional de um absurdo e obsessivo relacionamento em paralelo ao rompimento da linha tênue entre o controle e o descontrole, Desejo Obsessivo navega a um passo da tragédia.  Reunindo um protagonista com uma vida perfeita que encontra uma singular mulher, o roteiro levanta questões sobre desejo, a obsessão, onde os deslizes se tornam iminentes e a irrelevância de qualquer outro vira algo frequente. Esse embarque no desequilíbrio é o ponto de interseção que costura o roteiro para as ações e consequências dos personagens.

Na trama, conhecemos William (Richard Armitage), um cirurgião brilhante, de fala mansa, casado com uma advogada, com dois filhos que o idolatram, que vive seus dias com um enorme recente sucesso na carreira, fato que o leva a uma provável carreira política. Tudo ia na mais perfeita harmonia e equilíbrio na sua vida até que se vê envolvido, encantado, seduzido, obcecado, pela futura noiva do próprio filho, a enigmática Anna (Charlie Murphy). A partir do momento que ele se deixa levar por essa história, a vida apresentará duros golpes em seu caminho.



A verdade tem mil faces. A relação que se estabelece é por onde buscamos decifrar os momentos dos personagens. A dominação, controle psicológico, o proibido, a necessidade da submissão do outro nos jogos sexuais impostos, são alguns dos elementos que se tornam pólvoras para inconsequências. O controle e a submissão, aqui ligados ao desejo, moldam os calientes momentos como se a cada novo encontro um tijolo fosse colocado na bolha criada nesse tabuleiro de sedução. Será algum tipo de amor? Será a necessidade de preenchimento de um vazio ligado a desejos? Percorrendo milhas e milhas distante da linha que divide razão e a inconsequência somos testemunhas de atos impensáveis, onde há a troca do equilíbrio (razão) pelo descontrole (emoção).

A subtrama da família e toda exposição perante à situação não consegue ser tão profunda, ficando em total segundo plano. Esse poderia ser um elemento mais bem aproveitado. A deslealdade na relação com filho é o que deixa marcas no desequilíbrio do protagonista, mesmo esse dominado pela obsessão onde qualquer um que não seja Anna sejam jogados para escanteio. Na construção para a estrada da obsessão aqui nesse projeto, logo percebemos ser uma rua de mão dupla, onde um personagem se joga nesse oceano de inconsequências e o outro busca soluções para sair dessa bolha angustiante que já lhe trouxe tragédias no passado.

Mas afinal, quem tem mais culpa no cartório? Nessa minissérie de 4 capítulos disponível na Netflix, o lidar com as consequências dos próprios atos é a reta final de uma trama que busca ser envolvente e caliente, explorando os caminhos interpretativos do desequilíbrio.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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