Crítica | Dirty John – um verdadeiro show de roteiro, direção e atuação

Crítica | Dirty John – um verdadeiro show de roteiro, direção e atuação

Nota:


Diversas histórias reais ganham suas próprias versões para o universo audiovisual: como exemplo disso temos o recente filme Infiltrado na Klan, e as séries de TV Narcos e Orange is the New Black. Em tempos de combate ao machismo, assédio contra mulheres, entre outros, Connie Britton, que estrela e produz, se junta a Alexandra Cunningham (Roma), criadora, para levar a história de Debra Newell, em formato de minissérie, para o mundo.

Baseado na história verídica da personagem de Britton, Dirty John mostra como a designer de interiores se apaixonou por um charmoso médico veterano de guerra chamado John Meehan (Eric Bana), que a conduziu para um sinistro jogo psicológico e manipulador envolvendo toda sua família.

A produção tem um enredo cativante que prende o telespectador nos primeiros minutos do episódio piloto. Com uma abertura rápida ilustrando uma cena que acontecerá no futuro, a série de TV já consegue despertar a curiosidade para saber quando aquela situação irá ocorrer e qual seu significado dentro do contexto mostrado. A introdução vem bem mastigada, tornando fácil identificar as características de cada personagem e consegue criar identidade com quem assiste.

Ao longo dos oito capítulos, o enredo, que tem Cunningham no comando, só prende cada vez mais o espectador e desperta a vontade de saber o que irá ocorrer no final, como Debra conseguirá lidar com todos os acontecimentos e se John, mais uma vez, irá se safar ou não. O tom investigativo e misterioso de Dirty John é um dos seus maiores atrativos e mesmo com grandes revelações sendo feitas já no segundo episódio, tal situação não diminui o envolvimento da storyline e muito pelo contrário, só acrescenta em positivo de forma inesperada.

É necessário exaltar a atuação de Connie Britton como a protagonista da história. A veterana dá um show de atuação, o que torna fácil de compreender os motivos de suas indicações nas premiações. A atriz entrega tudo que pode ao papel de Debra mostrando a vulnerabilidade, determinação, medos, anseios e até mesmo culpa, algo muito comum às mulheres que vivem um relacionamento abusivo. É de aplaudir de pé os momentos em que todos esses sentimentos são vistos somente nas expressões de Britton.

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Outro que preciso destacar é Eric Bana, como o antagonista John Meehan. O ator mostra os dois lados do personagem: o charmoso, educado, romântico que convence com toda sua lábia. Assim como o agressivo, manipulador, mentiroso e assediador que vai sendo desvelado aos poucos, conforme o andar da narrativa e como esses aspectos de sua característica se mostram em pequenos atos, pequenos alertas que muitas vezes passam despercebidos.

É necessário mencionar Julia Garner como a filha Terra Newell. A jovem atriz entrega duas cenas marcantes para o telespectador e surpreende na reta final da produção. Outro ponto para prestar atenção é o seu diálogo com Denise Meehan-Shepard (Joelle Carter). E claro, Jean Smart como a mãe de Debra, Arlane Hart, que nas poucas cenas em que aparece abrilhanta a série com sua espetacular atuação. Prepare-se para se surpreender com um flashback de tirar o fôlego.

A direção dos oito episódios leva o nome de Jeffrey Reiner, que já havia trabalhado com Britton em Friday Night Lights, e está excelente. Os capítulos contam com suas particularidades e ângulos bem posicionados para as representações de suas cenas. A trilha sonora também está alinhada com o enredo e a direção de arte é um show à parte.

Dirty John é uma série de TV necessária para os tempos atuais com roteiro, direção e atuações fantásticas, e um enredo que pode servir de alerta para que outras mulheres identifiquem quando estão vivendo um relacionamento abusivo. É como a própria Debra Newell diz ao final do último capítulo: que deseja tornar pública sua história para que, desta maneira, possa ajudar outras mulheres a identificar e/ou conseguir sair de uma situação semelhante.



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