É bem emocionante poder fazer a crítica do primeiro trabalho de um novo diretor de cinema que entra para o grande circuito das salas comerciais no Brasil, pois é a oportunidade de já sentirmos qual será sua proposta, a assinatura que possivelmente irá acompanhá-lo ao longo de sua carreira. É mais especial ainda quando percebemos que esse início de carreira se deu com a estreia de seu primeiro longa, ‘Disforia’, chegando no circuito na mesma semana em que os cinemas fecharam suas portas por causa da pandemia.

Disponibilizado agora nas plataformas de streaming – Google Play, NOW, iTunes, Vivo Play, Looke e Youtube Filmes – ‘Disforia’ conta a bizarra história de Dário (Rafael Sieg), um psicólogo um bocado perturbado que, por indicação da sua colega de profissão, Tânia (Janaína Kremer Motta), acaba indo tratar da jovem Sofia (Isabella Lima), uma menina que, em um acesso de fúria, quebrou o espelho do banheiro e demonstra estar um bocado transtornada. Porém, de alguma forma a menina afeta as pessoas ao seu redor, e, quando Dário se aproxima para tratá-la, acaba sendo confrontado com seus próprios fantasmas.

Em ‘Disforia’ o conceito de thriller psicológico é levado ao pé da letra – não tanto no sentido de causar tensão no espectador, mas sim no sentido de se apropriar da essência da psicologia para construir o aspecto ameaçador do filme. Ou seja, uma vez que o homem é a pior ameaça para si mesmo, tudo que gira na cabeça do homem é suficiente para criar paranoias, medos, inseguranças, etc, seja sobre o futuro, seja sobre o passado. É a partir daí que Thiago Wodarski e Lucas Cassales constroem o argumento de seu filme, inserindo os conceitos psicológicos no longa com muita metáfora e artifícios figurativos.

O elenco adentra na profundidade de seus personagens, e isso reflete inclusive na movimentação em cena, extremamente devagar e com diálogos cadenciados. Talvez o diretor Lucas Cassales devesse ter inserido um pouquinho mais de ritmo aqui.

Com pouco mais de uma hora e meia de duração e baixo orçamento, ‘Disforia’ provoca o espectador a acompanhar a inquietação constante de Dário (e sua obsessão por banheiros). Junto com o protagonista vamos tentando costurar a trama tal como o faz um psicólogo: buscando as origens, os reflexos no cotidiano e os traumas como justificativa do presente. Um filme inquietante, tal como o título.

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