Crítica | Duas Por Uma – Drew Barrymore se esforça em entediante dramédia na Netflix



Drew Barrymore surgiu para o grande público como a doce menina que se encanta pelo et em ‘E.T: O Extraterrestre’, mas se firmou mesmo como uma das grandes estrelas das comédias românticas fofinhas favoritas de muita gente, como ‘Nunca Fui Beijada’. Após o estrelato, já na vida adulta, vieram as inúmeras parcerias com Adam Sandler, muitas das quais de gosto duvidoso, e, de lá pra cá, a atriz vem tentando abrir seu leque de opções, estrelando produções de outros gêneros – como a série de sucesso ‘Santa Clarita Diet’ – e mostrando o lado menos glamuroso de Hollywood, como o recém lançado ‘Duas Por Uma’, disponível na Netflix.

Candy Black (Drew Barrymore) é uma atriz que alcançou a fama depois de basicamente protagonizar uma situação constrangedora em que caía de cara no chão e viralizar por isso. Toda a sua carreira foi moldada em repetir essa mesma cena, que o público adora e ri, mas Candy está de saco cheio e não aguenta mais. Então ela tem a brilhante ideia de pedir para que Paula (Drew Barrymore), sua dublê oficial, vá para a clínica de reabilitação no seu lugar, para que ela possa dar atenção ao seu relacionamento à distância com Steve (Michael Zegen). Mas o que era para ser apenas uma troca pontual acaba dando um gostinho da vida que Paula sempre sonhou ter, e ela vai fazer de tudo para não perder esse privilégio.

- Ads -

Duas Por Uma’ parte da velha premissa de troca de lugares em prol de um objetivo maior, já um bocado explorado pela indústria cinematográfica. A diferença aqui é que a história é contada com um tom amargo, jogando luz sobre a forma nociva com que Hollywood trata suas estrelas e como a mídia consome o que há de melhor nessas pessoas e depois as joga fora. Embora esse seja um alerta importante, a forma como é trabalhado no roteiro de Sam Bain é esquisita, alternando entre a comédia dramática e um inesperado thriller. As cenas protagonizadas por Paula ocupam a maior parte da trama, e Candy é simplesmente uma personagem odiável, de modo que o espectador não consegue sentir empatia por nenhuma das duas e, portanto, a gente vai assistindo sem torcer pelo final feliz de nenhuma delas.

- Ads -

O filme de Jamie Babbit ajuda a levantar a discussão sobre o quanto nós, enquanto público fanático, contribuímos para alavancar e destruir a vida dessas pessoas. A própria premissa do longa pode ter sido inspirada em um fato real – pois houve sim uma mulher  (Paige Ginn) que fez muito sucesso na internet uns anos atrás por simplesmente cair numa sala de cinema e se estabacar no chão com um balde de pipoca, até que a internet começou a perceber que ela fazia isso de propósito para ganhar view –, além de dialogar de maneira muito próxima à vida real de sua atriz protagonista – também ela numa missão particular de se desfazer das amarras dos estereótipos que proporcionaram o sucesso de sua carreira. O resultado é um filme confuso, amargo e sem nenhuma graça.

Os atores da comédia se aventurarem em outros gêneros não é nenhuma novidade, mas nem todos conseguem ser bem-sucedidos no gênero dramático (que é mais levado a sério e rende mais prêmios), menos ainda a longo prazo. Assim, ‘Duas Por Uma’ é um longa conceitual demais, que não se define em gênero algum e ainda entedia o espectador. Poderia ter tido um resultado melhor.

Inscrever-se

Notícias

‘Bishop’: Astro de ‘Penny Dreadful’ é escalado para a nova série de SUSPENSE do Prime Video

Segundo o Deadline, Harry Treadaway ('Mr. Mercedes', 'Penny Dreadful') foi escalado...

Chris Lee é PROMOVIDO ao elenco regular da série ‘Tracker’

Segundo o Deadline, Chris Lee foi promovido ao elenco...
Assista também:


Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.