Em tempos de reclusão social, um filme cujo título é ‘Estranhos em Casa’ poderia causar estranhamento, porém não foi o que aconteceu com a estreia do mês do streaming da Netflix, que se manteve por vários dias entre os mais vistos da plataforma.

O filme franco-belga é baseado numa história real, o que também favorece o crescimento do espectador. Entretanto, o resultado é uma história que tenta se alavancar em temas mais profundos do que sua proposta, e que acaba se desviando para justificativas rasas emoldurada por argumentos risíveis.


No suspenseEstranhos em Casa’ o casal Paul (Adama Niane) e Chloé (Stéphane Caillard) decidiram sair de férias com o filho em um trailer por dois meses e tiveram a brilhante ideia de deixar a babá tomando conta da mansão deles. Para diminuir os possíveis estresses, a babá não só ficou cuidando da casa, como também ganhou uma procuração em seu nome assinada pelos proprietários (porque vai que acontece alguma coisa né?). Só que quando Paul e Chloé voltaram, a babá e seu marido tinham mudado a posse da propriedade da casa e passado tudo para o nome deles, de modo que quando os antigos donos chegaram não só não conseguiram entrar, como também foram retirados do local à força pela polícia.

Tudo isso ocorre nos primeiros cinco minutos de filme, e, a partir daí o roteiro de Olivier Abbou (que também dirigiu o longa) mergulha no universo masculino para justificar a tal história da disputa pela casa. Assim, Paul – que é um pacífico professor universitário de História, nunca fez nada de errado na vida e sempre se esforçou para ser um cara correto e de princípios – irá atravessar uma jornada pessoal de transformação do próprio ego, conectando-se a instintos primitivos, machistas e ultrapassados que, no final, querem apenas provar que para conseguir vencer na vida o sujeito homem tem que ser muito macho e agir como tal, ou, do contrário, será devorado pela sociedade. Ah, e ainda sobra espaço para inserir nesse liquidificador uma pitadinha de racismo (que entra na história só para ser mencionado, porque o argumento não tem nada a ver com isso).

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Com um protagonista-espectador da própria vida, o roteiro de Olivier Abbou se perde em muitos aspectos, assim com sua direção, que opta por um passeio de câmera por ângulos esquisitos, cenas que em nada acrescentam ao filme e um elenco que não possui nenhuma química. Nem mesmo a parte do terror, no terceiro ato, se salva, com atitudes injustificáveis que faz o espectador perder a paciência.

Estranhos em Casa’ é um filme baseado numa história real que, isoladamente, é mesmo muito bizarra, mas que não funcionou em formato de longa-metragem.


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