InícioCríticasCrítica | For Life – Série conta a EMOCIONANTE jornada real de...

Crítica | For Life – Série conta a EMOCIONANTE jornada real de detento que se torna advogado


Séries e filmes com temática judicial existem aos montes na televisão aberta e também nas plataformas de streaming. Muito populares a partir da década de 1990, esse tipo de produção ajudou a construir o gosto do espectador por histórias policiais que envolvessem crime e julgamento, como ‘C.S.I’ e ‘Law and Order’. Porém, raramente essas produções eram protagonizadas por atores pretos, a não ser que fossem personagens secundários ou participações especiais. Nos últimos anos, entretanto, isso vem mudando, e felizmente hoje podemos assistir a séries como ‘For Life’, nova produção da Netflix que figura no Top 10 desde a sua estreia.

Aaron Wallace (Nicholas Pinnock) está na prisão há 9 anos, sentenciado à prisão perpétua, mas nunca foi julgado ou sequer teve acesso a que tipo de acusação foi indiciado. Por isso, decidiu, de dentro da prisão, estudar e se formar em Direito, para poder se representar na corte. Enquanto não consegue acesso a seu próprio arquivo, Aaron vai ganhando experiência e lutando pela justiça de outros detentos, como Jose Rodriguez (Andrew Casanova), acusado de comprar drogas para uma menor de idade. Com a ajuda da nova diretora do presídio, Masry (Indira Varma), Aaron aos poucos vai conseguindo se firmar como advogado, porém, seu caminho começa a ser dificultado pela promotoria e pelo candidato a secretário de segurança Glen Maskins (Boris McGiver).



Dividido em treze episódios com exatos quarenta e três minutos de duração cada, a primeira temporada de ‘For Life’ segue o mesmo escopo das séries jurídicas e de investigação, entrelaçando a jornada pessoal do protagonista com os casos que ele se debruça para defender, e, aos poucos, vai exemplificando como esses casos, que aparentemente não têm relação, vão se costurando com o objetivo de Wallace, o que comprova que ele é um sujeito inteligente que não dá ponto sem nó.

Escrito e criado por Hank Steinberg, a grande sacada de ‘For Life’ é trazer a pauta racial para o protagonismo do programa, escancarando a estrutura racista que institui e corrobora a lei, a justiça e o sistema prisional daquele país (algo que o espectador brasileiro certamente consegue relacionar com a realidade daqui). Não à toa, é inspirado na história real de Isaac Wright Jr. A motivação do protagonista engaja a gente a acompanhar sua jornada de perto, a desejar pelo seu crescimento como advogado para trazer um pouco de justiça a um sistema que sabemos corrupto. Certeza de que é por isso que a série está conquistando o público.

A dosagem da carga dramática da primeira temporada é bem equilibrada; já no segundo episódio, por exemplo, vemos Wallace se ver obrigado a defender o caso de um detento nazista. Não tem como assistir a um episódio desses e se sentir confortável. A boa condução dos conflitos é mérito do diretor Russell Lee Fine, embora algumas transições de cenas tenham chegado à sua versão final com uns segundos a mais de tela preta.

For Life’ é uma ótima série, e a melhor dica é ir assistindo-a aos poucos, um episódio por dia, para refletir sobre os temas. A boa notícia é que a segunda temporada já está confirmada. A outra boa notícia é que, embora tenha chegado ao público brasileiro pela Netflix, ‘For Life’ também já está disponível na Amazon Prime e também na Globoplay (onde a segunda temporada já está disponível).

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS