Crítica | Fúria

Uma pistola para Nicolas Cage

Deus abençoe Nicolas Cage! No auge de seus 50 anos, o sobrinho de Francis Ford Coppola, duas vezes indicado e vencedor do Oscar por Despedida em Las Vegas (1995), faz de tudo menos ficar sem trabalho. Nos últimos anos, voltou a uma superprodução em Motoqueiro Fantasma 2, obteve sucesso de público dublando a voz do protagonista na animação Os Croods, e de crítica com o filmaço sério e ainda inédito por aqui, Joe.

Fúria, seu novo trabalho, não se encaixa em nenhuma categoria citada e é essencialmente mais uma produção B no acervo do curioso ator. O filme é uma mistura de Sobre Meninos e Lobos (2003) e o recente O Protetor (com Denzel Washington), dadas as devidas proporções. Aqui Cage é Paul Maguire, ex-criminoso reformado, chefe de uma família aparentemente perfeita, e atual assessor do prefeito. Seu passado volta para assombrá-lo quando membros de uma gangue russa invadem sua casa e sequestram sua filha adolescente (papel da bela e carismática Aubrey Peeples).

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Assim, ao lado de dois ex-comparsas, o protagonista irá despejar toda a sua “fúria” nos responsáveis e em quem encontrar pelo caminho. O filme é um veículo de ação para Cage, altamente esquecível, recheado de clichês do gênero e com diálogos embaraçosamente sofríveis. O que chama a atenção é o fato de tais filmes do repertório do ator continuarem encontrando espaço nos cinemas brasileiros. Ligado no automático, o protagonista faz sua melhor cara de quem não tem vergonha em descontar um belo cheque, em troca de entregar isto para o público.

Entre tiros e brigas, Cage tenta não se descabelar muito. Aqui fazendo uso de um penteado que reforça sua falta capilar. Sentimos que Cage almeja sair da mesmice em duas cenas específicas, nas quais exibe traços daquele Cage insano que costumávamos ver em obras esquisitas de seu começo de carreira. Ele grita, repete aceleradamente a mesma frase para um inimigo moribundo, e faz cara de louco durante uma luta. Mas Fúria, que no original leva o nome de uma pistola russa (Tokarev), não permite que o ator se liberte das amarras impostas por um roteiro mundano e sem brilho, que entrega justamente e somente o que este tipo de público quer ver.

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