Crítica | G.I Joe: Origens – Snake Eyes – Live-action é uma superprodução cansativa e confusa

Desde o ano de 2009, quando a Hasbro – empresa multinacional de fabricação e comercialização de brinquedos de plástico – cedeu os direitos para adaptação em live action de uma história baseada em um de seus brinquedos carro-chefe de sua linha de produção – os bonecos G.I. Joe – meninos e rapazes do mundo inteiro ficaram animados com a possibilidade de finalmente ver nas telonas as aventuras de ação que eles brincaram durante toda a infância. Já naquela época os fãs perceberam que o tom adotado para a franquia seria mais adulto, menos infantil. Foi assim com ‘G.I Joe – A Origem de Cobra’ (2009), ‘G.I Joe: Retaliação’ (2013) e agora com o recém-lançado ‘G.I Joe Origens – Snake Eyes’, que chega ao Brasil direto para aluguel sob demanda ou aos assinantes do Paramount Plus.

Snake Eyes (Henry Golding) é ainda menino quando vê seu pai ser assassinado a sangue frio em uma cabana na floresta por uma gangue dos Cobras. Daquela noite terrível, tudo que fica são memórias assombradas e o termo Snake Eyes, que o algoz de seu pai pronuncia um pouco antes de executá-lo. Anos se passam, hoje o rapaz é um lutador de ringues no submundo até ser recrutado por Kenta (Takehiro Hira), um perigoso negociador de armas que gerencia a yakuza japonesa em Los Angeles e lhe oferece em troca de seus serviços o paradeiro do assassino de seu pai. Quando Snake Eyes salva a vida de Tommy (Andrew Koji), acusado injustamente de espionagem, este se sente tão grato que o leva para viver no cerne de seu clã, os Arashikage, em Tóquio. Porém, ao descobrir que Kenta é um dissidente do mesmo clã, Snake Eyes terá que descobrir quem está falando a verdade nessa história, e até que ponto vai sua sede de vingança.

Com a intenção de construir a história particular de um dos personagens mais famosos da franquia, ‘G.I Joe Origens – Snake Eyes’ tenta abraçar inúmeros elementos, e acaba se perdendo em sua própria proposta. Em quase duas horas de longa, o espectador vai desde a infância traumática, ao recrutamento repentino como limpador de peixes, à inesperada reviravolta, à entrada para um clã inimaginável com direito a provas superdifíceis, mais reviravoltas, chegada de personagens – Scarlett (Samara Weaving) e a Baronesa (Úrsula Corberó) – e um final meio doido, em que a coisa toda parece que dá uma volta enorme para retornar ao mesmo ponto inicial.

Essa aglomeração de tramas no roteiro de Evan Spiliotopoulos, Joe Shrapnel e Anna Waterhouse confunde e cansa, trazendo poucas cenas de ação e luta e muita arrogância estadunidense, com excesso de frases de efeito de personagens que querem constantemente se mostrar superiores aos outros. A ausência de tecnologia, tão presente no imaginário de quem brincava com os bonecos, é aqui preenchida por uma tradição japonesa meia capenga, feita por americanos, e soa tão genérica que nem os próprios seguidores do clã parecem acreditar no que falam. Ainda assim, é uma superprodução, com locações lindas, tomadas de tirar o fôlego e perseguições pelas hipnotizantes ruas de Tóquio, com carrões e motocicletas estilo ‘Velozes e Furiosos’.

G.I Joe Origens – Snake Eyes’ é um filme de ação para quem já viu os outros da franquia e tem valor afetivo pelos bonecos; quem não sabe do que se trata dificilmente conseguirá engajar no enredo. Dessa vez, Snake Eyes deixa de ser um homem branco e ganha ascendência asiática, o que é um ponto superpositivo para sua origem, mas merecia mais profundidade para um personagem tão importante para a franquia. A ver pela cena pós-crédito, capaz ganhar não só uma continuação, mas outras derivações no futuro.

Notícias

Comédia ‘Pequenos Profetas’ é RENOVADA para a 2ª temporada

A BBC renovou a comédia 'Pequenos Profetas' ('Small Prophets') para a...

Julie Andrews conquista MAIS um Emmy por seu trabalho em ‘Bridgerton’

'Bridgerton' continua como uma das produções mais populares da Netflix...

‘Criaturas Extraordinariamente Brilhantes’ conquista o Emmy de Melhor Filme

'Criaturas Extraordinariamente Brilhantes', filme baseado no romance homônimo de...

Shailene Woodley leva para casa primeiro Emmy da carreira por ‘Paradise’

A elogiada série de suspense 'Paradise' continua a fazer um...

Ernest Harden Jr. conquista primeiro Emmy da carreira por ‘The Pitt’

O premiado drama médico 'The Pitt', estrelado por Noah Wyle, continua...

‘007’: Gary Oldman afirma que próximo James Bond já foi ESCOLHIDO

Em entrevista ao Canada's Global, Gary Oldman ('Batman: O...

Rob Reiner conquista Emmy póstumo por ‘O Urso’

O saudoso Rob Reiner, que faleceu no final do ano...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.