Crítica | Ice Nine Kills e Mckenna Grace mergulham no hard rock e no metalcore com “Twisting the Knife”, música original de ‘Pânico 7’

Pânico 7’ chega aos cinemas de todo o mundo em poucos dias, nos levando para mais um sangrento capítulo da icônica franquia slasher, que teve início em 1996 e se transformou em uma das sagas de maior popularidade e impacto na cultura pop. Trazendo Neve Campbell de volta como a eterna final girl Sidney Prescott e imortalizando a personagem mais uma vez ao longo de três décadas, o longa-metragem é dirigido por Kevin Williamson, roteirista do filme original, e conta com um elenco de peso que promete nos divertir em mais uma empreitada do horror.

Para promover o projeto, os produtores resolveram selecionar quatro artistas diferentes para integrarem a trilha sonora. Na semana passada, o rapper e cantor estadunidense Sueco lançou a ótima “Rearranging Scars”, unindo elementos dos anos 2000 e 2010 para um punk-rock nostálgico que não apenas dialoga com o legado deixado pela franquia, como nos dá o tom dessa instigante e arrepiante narrativa que em breve será exibida nas telonas. Agora, somos convidados a conhecer a segunda faixa programada, “Twisting the Knife”, colaboração da banda de hard rock Ice Nine Kills com a atriz e cantora Mckenna Grace, que inclusive interpreta uma das novas personagens no sétimo capítulo.

O título do single já nos dá um gostinho do que esperar: um jogo de palavras com a conhecida expressão em inglês que serve como metáfora para causar sofrimento a alguém – e que, é óbvio, tem a ver com as motivações do serial killer que irá caçar impiedosamente os protagonistas e coadjuvantes. Infundindo-nos em uma poderosa ambientação que presta homenagem direta ao compositor Marco Beltrami, os três minutos e meio de pura explosão instrumental e vocal nos envolve em uma mistura de hard rock, metalcore e punk que espera o momento certo para crescer em um ápice memorável e que faz todo sentido dentro do espectro do horror da saga.

A canção é irretocável em absolutamente tudo o que se propõe a entregar não apenas aos fãs de longa data da banda, que já tem um histórico em incorporar elementos do terror em sua discografia, mas aos apreciadores de uma boa música nostálgica. A construção instrumental, que usa e abusa da bateria e das guitarras elétricas e reafirma a habilidade dos produtores, é uma mistura sombria de melancolia e de desesperança que ganha mais força com os metafóricos e quase etéreos versos – se aprofundando na essência de Pânico com um comprometimento arrepiante e envolvente.

A cereja do bolo vem com o trabalho dos dois vocalistas: de um lado, Spencer Charnas, lead singer do Ice Nine Kills, nos encanta com uma das vozes mais limpas do metal, apoiando-se na dureza das palavras que profere; de outro, Grace traz uma inocência maculada com uma cristalina rendição que, inclusive, a afasta de seus outros créditos no escopo fonográfico. Ao se unirem no refrão, ambos são arrebatados por uma química que nos remete às incursões do grupo Evanescence com ‘Fallen’, nos guiando por essa obscura jornada e nos fazendo ansiar por mais.

Lembrando que o filme chega aos cinemas nacionais em 26 de fevereiro.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.