As famosas séries de ficção de suspense e sobrenatural estadunidenses dos anos 1990 possuíam uma estrutura em comum: embora tivessem uma trama pessoal do casal de protagonistas, cada episódio começava com o mote daquele capítulo sendo apresentado nos primeiros minutos, para, em seguida, entrar a vinheta de abertura e o enredo ser deslocado para os protagonistas, acompanhando como o caso chegava às mãos deles. É assim com ‘Arquivo X’ e ‘Law and Order, por exemplo, e essa mesma estrutura é recuperada no lançamento dessa semana da Netflix, ‘Labirinto do Medo’.

Will (Anthony Oseyemi) é um escritor de livros paranormais e sobrenaturais. Mesmo sendo sul-africano, ele passou a maior parte da vida na Inglaterra, após um trauma em seu passado. Agora Will está de volta à África do Sul, numa tentativa de se reconectar com suas raízes, porém, a aparição de um fantasma no aquário da Cidade do Cabo faz com que seus planos cruzem com os de Kelly (Shamilla Miller), uma influencer que estava no local para fazer um protesto contra o uso desenfreado de plástico. Então, Will se dá conta de que seu novo livro será inspirado nas ocorrências sobrenaturais em sua terra natal, por isso, a ajuda do ex-policial Joe (Rea Rangaka) será fundamental para garantir a segurança da equipe.

Não é preciso dizer que um dos fatores mais atraentes de ‘Labirinto do Medo’ é o fato de essa série ser sul-africana, com um elenco todo negro. O lance é que o roteiro de Gareth Crocker equilibra bem os elementos do mainstream, entregando a narrativa esperada por espectadores que consomem esse tipo de entretenimento estadunidense, e, dentro desse universo, insere elementos da cultura sul-africana, valorizando as raízes daquele país. Ou seja, tal como o protagonista Will, a série transita entre esses dois mundos, trazendo o melhor de cada um deles.



Dividida em oito episódios de cerca de quarenta minutos cada, as temáticas flutuam entre fantasmagoria, serial killer, bruxaria, demônio e, não obstante, também as tradições locais, convidando o espectador, por exemplo, a mergulhar no episódio 6 em um baobá misterioso, onde o Umbulali (uma espécie de abutre espiritual) sequestra homens para sugar a alma deles. Ou a enfrentar algo como o espírito de um bode maligno que funciona como uma boneca vudu e mata pessoas no episódio 5. Assim, se na primeira metade da série temos histórias mais genéricas, a parte final do arco se aprofunda no solo africano, mostrando o seu verdadeiro diferencial.

É claro que construir uma produção desse porte não é barato, e o orçamento parece ter encolhido na realização dos efeitos especiais, que surgem de maneira bem amadora, remetendo-nos uma vez mais àqueles dos anos 1990. Dirigida por Gareth Crocker e Fred Wolmarans, ambos poderiam ter dedicado mais investimento neste que é um dos pontos cruciais para engajar o espectador contemporâneo.

Labirinto do Medo’ é uma série gostosinha e inocente de sobrenatural. Não dá medo, mas entretém e diverte, cumprindo o papel de transportar o espectador para um outro mundo. Ideal para maratonar em tardes frias, debaixo da coberta, comendo pipoca e rindo dos comentários sacanas de Joe, que, dentre todos, é o único descrente nessa coisa toda de paranormalidade e, portanto, fala as coisas que o espectador pensa.



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