Crítica | Lee Cronin joga no seguro com o mediano terror ‘Maldição da Múmia’

Quatro anos depois de ter feito sua estreia no cenário dos longas-metragens, Lee Cronin retornou ao cenário cinematográfico com um ambicioso projeto: a quinta entrada da franquia ‘A Morte do Demônio’, com o subtítulo ‘A Ascensão’. O filme fez um grande sucesso comercial, arrecadando quase dez vezes o valor de seu orçamento e tornando-se o capítulo mais rentável da icônica saga de horror, além de ter sido elogiado pela visceralidade de sua narrativa e de sua estética, mantendo-se fiel à essência das iterações predecessoras. Não é surpresa que o realizador, pois, tenha recebido atenção de outras grandes produtoras – como foi o caso da Atomic Monster e da Blumhouse.

Agora, em uma parceria com ambas as empresas, Cronin está de volta com o ambicioso Maldição da Múmia, que se inspira nas clássicas lendas envolvendo as múmias do Antigo Egito, fornecendo uma perspectiva implacável e arrepiante a essa conhecida história. Todavia, apesar das boas intenções e de uma estética que de imediato nos chama a atenção, as investidas do diretor e roteirista soam como uma mera extensão de seu trabalho em 2023, valendo-se de uma estrutura conhecida que, eventualmente, não traz nada de novo ao gênero. Em outras palavras, Cronin demonstra um apreço inescapável pela estrutura imagética em detrimento de uma história que valha a pena ser contada.

A trama nos leva para o Cairo, onde o jornalista Charlie Cannon (Jack Reynor) vive ao lado da esposa, Lari (Laia Costa), e dos dois filhos. A vida do casal vira de cabeça para baixo e adentra um abismo de medo e consternação quando a mais velha, Katie (Emily Mitchell), desaparece após conversar brevemente com uma estranha que passava pela rua – e que lhe pede desculpas antes do sequestro. Oito anos mais tarde, já sem esperanças e tendo retornado a Albuquerque, Charlie e Lari recebem uma ligação da embaixada americana na capital do Egito, dizendo a eles que Katie foi encontrada envolta em bandagens e dentro de um sarcófago de mais de três mil anos de idade.

No mais puro estado de catatonia e trauma, Katie é levada para casa quase irreconhecível, reencontrando-se não apenas com os pais, mas com a avó, Carmen (Verónica Falcón), o irmão Sebastián (Shylo Molina) e a jovem Maud (Billie Roy), que nasceu pouco depois do desaparecimento de Katie e não chegou a conhecê-la. Acreditando que o conforto do lar possa tirá-la de seu transe aparentemente inescapável, a família percebe que levou para dentro de casa uma maligna entidade que se apossou do corpo da garota e que, agora, deseja se libertar de suas amarras para instaurar caos e terror no mundo.

O filme nutre de poucas semelhanças com as várias outras adaptações da clássica narrativa – e ironicamente, ao buscar algo que se afaste de investidas similares envolvendo esses monstros, morre na praia com uma mixórdia de fórmulas que nunca se desvencilham das obviedades e que contam com uma gama de regurgitações da própria filmografia de Cronin. Em outras palavras, o escopo mitológico que permeia essa narrativa é pincelado com uma espécie de estudo demonológico sobre fé e que tenta remodelar, sem sucesso, os temas esquadrinhados em ‘A Morte do Demônio’.

O problema é que, mesmo demonstrando uma paixão nostálgica em demasia pelo filme que o colocou no centro dos holofotes, Cronin parece mais circunspecto e acanhado em comparação às explosões de sangue e vísceras que irrompeu em cena alguns anos atrás. Enquanto acerta na estética abafada e exaustiva, cortesia da fotografia árida e que traz a sensação de uma “suspensão temporal” assinada por Dave Garbett – tanto no Cairo quanto em Albuquerque -, a maior parte dos elementos são feitos às pressas, não levando o tempo necessário para nos envolver num terror atmosférico que nunca alça voo e que nos deixa mais frustrados do que satisfeitos. O roteiro, também de Cronin, parte de decisões controversas e que em nada ajudam nos arcos dos personagens; a trilha sonora de Stephen McKeon, por sua vez, mais emula do que inova com o conhecido jogo de cordas de obras do gênero.

Apesar dos múltiplos erros, alguns momentos do projeto chamam nossa atenção de maneira positiva – incluindo a enervante sequência de abertura e algumas sequências de tensão que antecedem os conhecidos jump scares. O maior destaque, entretanto, destina-se ao elenco, em especial ao trabalho de Natalie Grace como a versão mais velha de Katie, e que rouba os holofotes através de um trabalho corporal de tirar o fôlego. Reynor, Costa e os outros atores têm seu momento de brilhar, acompanhados pela presença de May Calamawy como a Detetive Dalia Zaki, responsável por investigar o reaparecimento de Katie e por encontrar quem a sequestrou.

Maldição da Múmia tem uma ideia muito clara em mente, mas, em meio a se recusar a explorar território desconhecido, prefere “jogar no seguro” e se valer e algo já visto incontáveis vezes em vez de buscar originalidade. Com exceção de breves ápices, o novo filme de Lee Cronin fica no meio do caminho e decepciona por não ousar como poderia.

Notícias

Rebecca Gayheart quer RETORNAR em reboot de ‘Lenda Urbana’

Em entrevista ao Deadline, Rebecca Gayheart ('Um Crime Entre...

Bruce Campbell afirma ter apenas 5 anos de vida após diagnóstico de câncer

Em entrevista ao podcast The Adam Carolla Show, Bruce Campbell, conhecido...

Saiba quantos MINUTOS de cenas a mais terá ‘Vingadores: Ultimato Encore’

Faltam apenas algumas semanas para o relançamento de 'Vingadores:...

Netflix revela ter usado IA Generativa em cerca de 300 programas

Enquanto o uso de Inteligência Artificial em Hollywood continua...

10 FILMES ÓTIMOS para colocar na sua lista da semana!

10 FILMES ÓTIMOS para colocar na sua lista da...

Só FILMAÇO! 10 obras que fazem qualquer dia sem graça valer a pena

Tem alguns dias que, após nossas obrigações profissionais, paramos...
Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.