Crítica | Love, Death & Robots – animação de Tim Miller e David Fincher é um deleite até para os mais críticos

CríticasCrítica | Love, Death & Robots - animação de Tim Miller e David Fincher é um deleite até para os mais críticos

As animações têm ganhado cada vez mais espaço dentro dos canais de streaming, em especial, na Netflix. Depois dos reboots de She-Ra e as Princesas do Poder e Carmen Sandiego, também as séries animadas interligadas chamadas de Contos da Arcadia, o canal decidiu investir numa produção diferente que leva o nome de Tim Miller (Deadpool) como criador, e na parte de produtores nomes como Joshua Donen (Garota Exemplar) e David Fincher (A Rede Social) aparecem. Love, Death & Robots tem uma proposta diferente das que o público está acostumado: a série é uma antologia, ou seja, cada episódio conta uma história diferente e foi animado por diferentes equipes de vários países.

Os enredos são exatamente o que diz o título: sobre amor, morte e robôs. Cada capítulo traz uma abordagem diferente, assim como seu traço, suas cores e escolhas de trilha sonora. É como se o espectador sentasse para ler um quadrinho ou livro com diferentes tipos de contos. Exceto por alguns poucos roteiros que deixam a desejar com o cerne de suas storylines, por muitas vezes, sem coesão e coerência, a maioria dentre as 18 partes são bem elaboradas e transmitem a sensação do telespectador estar diante um ditado popular transformado em produto audiovisual.

A animação escolhida para cada episódio está de acordo com a intenção do roteirista ao repassar a história. Algumas possuem um traço mais grosso, outras mais fino e tem aquelas, a grande maioria, por sinal, que parece até que o público está diante de um live-action de tão realista que são. A riqueza de detalhes escolhidas para representar esses enredos seja na arte, na roteirização, nas escolhas do diretor e/ou na trilha sonora são um verdadeiro show. Todos os elementos se unem para tornar a produção um deleite para os maiores de idade apreciadores de ‘desenhos’.

É preciso destacar alguns entre os 18 capítulos: ‘Three Robots’, que é de longe um dos melhores de toda a série – bem produzido em todos os sentidos da palavra e um dos que provocam mais risadas. Sem contar que é fácil simpatizar com os personagens logo de primeira e aqui se tem a dublagem de Josh Brener como K-VRC, Gary Anthony Williams é XBOT 4000 e Chris Parnell como The Cat. ‘Suits’ possui uma história tão amarradinha e emocionante que nem parece que você conhece alguns dos protagonistas somente há 17 minutos.

‘Good Hunting’ coloca a China em evidência com um plot de sobrevivência e dois personagens inesquecíveis que recebem os nomes de Yan (Elaine Tan) e Liang (Matthew Yang King). Enquanto isso, ‘Shape-Shifters’ e ‘Helping Hand’ são verdadeiros espetáculos de animação realista com um roteiro de tirar o fôlego. Por fim, mas não menos importante, ‘Lucky 13’ apresenta ao espectador a Tenente Colby que tem a voz e toda a fisionomia de Samira Wiley, fazendo com que, por um segundo, quem assiste acredite ser a própria ali. Esse é um dos episódios para ficar bem atento.

Além de todos esses quesitos e pontos comentados que só acrescentam em positivo para a série animada, a Netflix também fez um pequeno experimento que pode já ser o indicativo de futuras produções trabalhando o mesmo: a criação de Miller apresenta ordem diferente para cada telespectador nos quatro primeiros capítulos e de acordo com a assessoria do canal, eles estão apenas testando algo novo já que nunca tiveram um produto assim.

No geral, Love, Death & Robots é uma animação para tirar as crianças da sala e se deleitar com o nível elevado que a mesma trouxe para o gênero. As 18 partes passam tão rápido que só deixam o público sedento por mais e mais e mais capítulos como os que terminaram de assistir. É de prender no sofá até conferir o último segundo do último episódio e ficar se perguntando quando terá mais.

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