Uma professora desiludida no trabalho, um aluno sem muitos amigos e uma situação que reativa memórias dolorosas, só que trazendo novos significados. Diretamente de Taguatinga, o curta-metragem Ludmilla constrói sua narrativa de forma solar, lançando um olhar esperançoso que encontra beleza nos contrastes das emoções em meio ao caos do desânimo cotidiano.
Já tendo percorrido outros festivais aqui no Brasil e lá fora, o filme dirigido por Vini Moreira encontra, de forma sutil e envolvente, algumas camadas bem interessantes que se ligam a um retrato social bem amarrado ao longo de seus 15 minutos de projeção.

A importância do ensino e das pontes que são construídas no elo entre professores e alunos, o ganhar ou perder e o significado além dessas duas palavras, a volta ao passado sob um olhar mais maduro para compreender novos sentidos para determinadas situações que a vida coloca como obstáculos, são alguns dos pontos que se sobressaem na trama.

Tia Lud (Isabella Furtado) é uma professora de educação física completamente desanimada com o seu trabalho. Sempre com a cara fechada e rabugenta sempre que pode, mantém uma enorme distância de seus pequenos alunos. Um dia, é procurada para que eles sejam inscritos em uma olimpíada entre colégios, para participar do torneio de queimado. Durante esse tempo e já no calor do jogo, ela passa a relembrar uma época distante de sua vida, fazendo com essa situação se torne um trampolim para fugir do marasmo de tristezas guardadas e nunca esquecidas.

Esse é um filme cheio de reflexões, muitas delas que chegam pelas entrelinhas. O voltar a ser criança, os sorrisos que surgem quando menos esperamos e o despertar do afeto entram em confronto com a tristeza e a solidão em um jogo da vida no qual o caos emocional é o grande vilão. Mas há também heróis improváveis, que nos guiam para um entendimento dos ressignificados.
