Ao longo dos seis episódios de Marielle – O Documentário’, a sequência de abertura vai se modificando, no sentido de acrescentar à montagem elementos que foram apresentados no capítulo anterior. A estratégia funciona como uma espécie de síntese do que acontece ao longo de toda a produção: pouco a pouco, as informações vão se desvelando a fim de compor o cenário do assassinato de Marielle e situar o espectador dentro do cenário atualizado das investigações. Os fatos e as declarações é que são responsáveis por darem um tom à narrativa.

Produzido em sigilo pelo jornalismo da Rede Globo ao longo de todo o processo investigativo até pouco antes do seu lançamento, Marielle – O Documentário’ busca mesclar a retidão dos fatos, muitos deles resultando de investigações conduzidas pela própria equipe da emissora responsável pela cobertura do caso, com material de arquivo obtido com exclusividade com Anielle, a irmã, e Mônica, a esposa de Marielle. O acesso aos familiares e amigos tanto da vereadora quanto do motorista Anderson Gomes garante o aspecto emotivo da narração, sobretudo nos primeiros episódios da produção. 

A comoção da audiência fica por conta da narração dos últimos momentos de Marielle e Anderson e da reconstituição do que aconteceu na noite do crime — feita toda através dos relatos de Mônica, Agatha, esposa de Anderson, e Fernanda Chaves, a assessora que estava no carro e sobreviveu ao crime. A estratégia dá ao espectador uma visão dos fatos extremamente doméstica e aproximada da realidade dos familiares, o que contribui para o aspecto emotivo. Imagens de câmeras de segurança se alternam com entrevistas em uma montagem que estrategicamente busca incitar que todo o cenário vá se montando na cabeça da audiência.

O justificável peso melodramático aqui serve também para um outro propósito, que é o de humanizar a perda de Marielle para além da figura de mártir em que ela naturalmente se transformou aos olhos políticos de sua vida pública. Marielle mãe, filha, esposa, irmã, adolescente irresponsável e amiga descontraída são colocadas não como uma forma de contrastar com quem ela era no plenário, mas como uma estratégia para unir estes dois aspectos de sua vida sob uma única visão.

Rapidamente, no entanto, este aspecto familiar dá lugar a uma reprodução extremamente burocrática de processos investigativos, que em termos de um contexto histórico serve para deixar registradas as eventuais evoluções rumo às respostas das perguntas que não calam. 

Como um documentário conduzido por uma equipe de jornalismo, ‘Marielle’ raras vezes se aprofunda nas consequências históricas, reflexões subjetivas ou a longo prazo de sua morte, na forma como o 14 de março de 2018 foi um divisor de águas em termos de polarização ou até mesmo nos motivos que atravancam tanto que se chegue a uma resposta. Um de seus grandes trunfos  fazer uma bela elucidação dos nomes envolvidos e das relações entre eles, o que acaba transformando-o em um serviço, ao criar uma linha temporal para todos os grandes furos até o envolvimento de Anderson e do Escritório do Crime, deixando claras as relações entre cada deputado, membro da polícia ou miliciano que teve o seu nome citado nos autos do processo. 

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É louvável, portanto, o que faz quando fornece os contextos e faz um grande resumo dos últimos quase dois anos, tendo acesso direto e entrevistas exclusivas com os próprios investigados. Mas é evidente — e, sob alguns aspectos, entendível — o quanto o material pisa em ovos com a mera possibilidade de envolver nomes maiores da política brasileira ou expor demais os meandros das milícias. A sensibilidade do assunto e o simples fato de ainda estarmos no epicentro das investigações (e de suas repercussões) naturalmente dificulta qualquer distanciamento que se proponha a fazer mais do que apresentar a ordem dos fatos sem ser taxativo sobre seus múltiplos significados. E, no fim das contas, continuam ecoando as perguntas: 

Quem mandou matar Marielle? E por quê?

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