Miley Cyrus tem tido uma carreira muito interessante desde que eternizou a icônica Hannah Montana na série de mesmo nome do Disney Channel. Nunca pensando duas vezes antes de se arriscar em diversos gêneros, Cyrus navegou pelo pop, pelo rock, pelo house e incontáveis outros estilos que a firmaram como uma das artistas mais versáteis do século e que não apenas atraíram a atenção de uma legião de fãs, mas a garantiram um status que inclui vários prêmios e um reconhecimento inegável e indissociável de sua vibrante e marcante personalidade.
Depois de ter conquistado um Grammy ao lado de Beyoncé por “II Most Wanted”, Cyrus embarcou em sua era mais ambiciosa com ‘Something Beautiful’, que contou com um excepcional longa-metragem exibido no Festival de Tribeca e que a permitiu explorar o pop progressivo e o art-rock em um compilado de faixas que com certeza terá mais reconhecimento do que conquistou à época do lançamento. Agora, pronta para embarcar em sua próxima era musical, a cantora e compositora mergulha de cabeça nas conhecidas construções do dance-pop e do electropop para uma declamação testamentária que traz aos holofotes uma defesa contundente da entrega e do escapismo.
Através de quase três minutos e meio, Cyrus move-se pelas incessantes batidas da música pop do final dos anos 2000 e começo dos anos 2010, mas sem se valer apenas de homenagens a nomes como Britney Spears e Lady Gaga, que ajudaram a repopularizar o gênero com álbuns como ‘Blackout’ e ‘The Fame’. Aqui, os sutis vocais da performer se engalfinham com sintetizadores urgentes que nos preparam para um vibrante refrão pautado no prazer musical, à medida que tece uma clara crítica à nova geração – que parece não ser capaz de se jogar como deve nas pistas de dança e se deixar levar pelo interminável frenesi que o gênero oferece aos ouvintes. “As crianças não querem dançar” é o verso que resume a ideia principal da canção, sendo repetido diversas vezes em um labiríntico discurso que se finca no mais puro hedonismo.
Cyrus sempre se mostrou indesculpável quanto às suas produções – e aqui isso não seria diferente. Responsável também pela produção da faixa ao lado de Kid Harpoon, Michael Pollack e Maxx Morando, é notável o apreço da artista em amalgamar diferentes décadas sob uma única perspectiva, criando uma ponte entre um passado não muito remoto e um presente que ainda tem muito a contar (e que, em meio ao complexo cenário em que se vê, encontra na música uma válvula de escape mais do que necessária). E é claro que, em meio à perda de sua madrinha, a lendária Dolly Parton, retornar ao cenário fonográfico com um sólido lead single funciona como uma escolha terapêutica e, ao mesmo tempo, pungente da maneira mais inesperada possível.
Lembrando que o álbum será lançado no dia 18 de setembro.
My tenth studio album, BASS PERSUADES, is yours September 18th.
Music takes hold of us. We feel it, sing it, sometimes dance to it, let it out and carry on. It is powerful, vulnerable, sweet and strong.
Heart full, heartache, every part of life in between. That’s what the title… pic.twitter.com/ujagy2jsA7— MILEY (@MileyCyrus) September 1, 2026
Miley Cyrus ganhou destaque ao interpretar Hannah Montana na série homônima do Disney Channel, ascendendo a um estrelato mundial. Após lançar-se na carreira musical, ela conquistou a crítica e o público ao redor do mundo, com produções que incluem ‘Can’t Be Tamed’, ‘Bangerz’, ‘Plastic Hearts’.
Em 2024, ela lançou o elogiado ‘Endless Summer Vacation’, que lhe rendeu nada menos que duas estatuetas do Grammy Awards pelo single “Flowers” – incluindo Gravação do Ano. No mesmo ano, ela integrou o aclamado álbum ‘Cowboy Carter’, de Beyoncé, na faixa “II Most Wanted” – que lhe rendeu mais um gramofone dourado, desta vez na categoria de Melhor Performance Country em Grupo/Dupla.
Em 2025, ela lançou ‘Something Beautiful’, que apresentou um lado mais experimental e conceitual da artista e contou com um filme lançado no Festival de Tribeca – além de faixas como “Easy Lover” e “Walk of Fame”.

