Uma bela e talentosa jovem, com um futuro brilhante: uma morte inesperada sem rastros deixados. Um possível padrão que reitera um antigo serial killer jamais encontrado. Mistérios do Universo é um thriller criminal ambicioso em sua premissa e tenta mesclar a profundidade intelectual científica com a complexidade de resolver um suposto assassinato aparentemente sem motivação. Mas nessa busca por construir uma metáfora que conecte ambas as temáticas, a produção dirigida por Carol Morley se perde em seu próprio buraco negro, entregando um suspense pouco envolvente e incapaz de alcançar metade do seu potencial.

Trazendo Patricia Clarkson como a grande protagonista, o thriller até tenta corresponder à grandiosidade da atriz e às expectativas que naturalmente a acompanham. No entanto, Mistérios do Universo se confunde em seu próprio espaço-tempo, andando em círculos por quase uma hora de filme, em um drama excessivamente calado em vários aspectos, tanto em seus diálogos, bem como em toda sua construção narrativa. Explorando pobremente seus personagens principais, o longa começa e termina cheio de buracos e falhas de roteiro, não sabe aproveitar seu tempo de tela e perde a oportunidade de explorar outros recursos narrativos para validar seu drama e até mesmo para estabelecer um nível mínimo de identificação com a audiência.

Tratando todos como quase um experimento científico, o roteiro é incapaz de encontrar o equilíbrio que tanto almeja nas metáfora que busca gerar, fazendo com que toda a trama se torne desimportante e imperceptível diante dos olhos do público. E sem precedentes ou até mesmo sem um background sólido como contexto, Mistérios do Universo entrega a protagonista Mike Hoolihan de forma vazia. Patricia Clarkson até que tenta, mas a narrativa de Martin Amis é rasa demais para garantir qualquer substancialidade à sua durona detetive, que inadvertidamente se identifica com a suspeita morte de Jennifer Rockwell (Mamie Gummer, filha da brilhante Meryl Streep), mas sabe se lá bem porquê.



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Patinando na maior parte do tempo, a trama não apenas acaba sendo incoerente com a expertise da protagonista, apresentada nos primeiros 10 minutos de filme, como se torna rapidamente maçante. Como se houvesse um grande buraco de minhoca no meio da trama, o thriller caminha em uma lentidão absurda, tornando a experiência da audiência exaustiva e desgastante, até que se acelera repentinamente, gerando a sensação de que talvez pelo menos a última meia hora seja melhor aproveitada.

No entanto, conflitando em meio à já batida argumentação procrastinada de “ela disse, ele disse”, Mistérios do Universo consegue retardar ainda mais o seu ritmo e – eventualmente – acaba perdendo o interesse do público por ser prolixo demais e entregar poucas reviravoltas como recompensa. Com uma direção que não se destaca e não possui identidade, o drama ainda tenta se esgueirar no gênero noir, mas acaba pendendo mais para uma estética genérica. E ao final de tudo, o thriller criminal se torna um grande quase, desperdiçando todos os seus recursos e, mais ainda, nosso valioso tempo.

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