As gerações contemporâneas ao século XXI deparam-se com um dilema crucial em todos os campos sociais: o excessivo número de possibilidades. Pode-se estudar uma coisa na faculdade e trabalhar com outra coisa; morar numa cidade hoje e se mudar para outra amanhã; parar de trabalhar em uma empresa e abrir seu próprio negócio; beijar alguém pela manhã e dormir com outra à noite. A efemeridade das relações líquidas é o mote de ‘Newness’, filme que anda em alta no catálogo da Netflix.

Martin (Nicholas Hoult) é um rapaz que está de coração partido por causa do fim involuntário de seu casamento com Bethany (Pom Klementieff) e busca encontros casuais em um aplicativo de relacionamentos. Já Gabi (Laia Costa) é uma jovem espanhola de espírito livre em busca do orgasmo perfeito. Um dia os dois dão match, mas o que era para ser um lance casual acaba evoluindo para algo mais permanente – e, consequentemente, a monotonia da rotina os atinge. Inquietos e insatisfeitos, os dois concordam em explorar as muitas possibilidades sexuais dos encontros sociais.

Com um conceito semelhante às ideias do sociólogo Zygmunt Bauman, o roteiro de Ben York Jones se dedica bastante ao primeiro arco do filme – tanto que dá a sensação de que se passou uma hora de história, quando na verdade foram só trinta minutos. Tanto parece Bauman, que Martin tem longas conversas com seu melhor amigo, Paul (o nerd fofinho Matthew Gray Grubbler, de ‘Criminal Minds’), que o ajuda a avaliar suas emoções. Nessa primeira parte, em que o casal está acontecendo, há mais dinamismo; depois o longa perde mais da metade do seu fôlego, embora esteja entrando justamente na parte mais caliente da trama.

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Surpreendentemente produzido por Ridley Scott (!!), o longa tem feito bastante sucesso na Netflix por conta das cenas de sexo protagonizadas por Nicholas Hoult e Laia Costa, que não são muitas, mas sobem a temperatura. O diretor Drake Doremus parece ter optado por não explorar tanto os corpos dos atores, mas sim o abismo emocional dos personagens, utilizando-o como reflexo da geração millenial desorientada e sem laços. Ainda que entregue uma boa crônica da classe média na faixa dos 20 e 30 anos, ‘Newness’ é previsível e um pouco longo demais.

Apesar da falta de tradução do título para o português, ‘Newness’ poderia significar uma das falas da personagem Gabi: a necessidade de novidades constantes. Quando nada basta e o agora entedia, o que resta para as relações humanas senão andar em círculos numa ilusão inútil de tentar se inovar?

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