Quando a gente olha para trás, pra nossa infância, há livros e histórias que permearam o nosso imaginário de quando éramos crianças, independentemente de em qual cidade morássemos. Isso acontece com as histórias de Mauricio de Sousa, de Ziraldo, de Ana Maria Machado, de Pedro Bandeira, de Marcos Rey e também de João Carlos Marinho – que, dentre essa constelação literária, pode até ser que tenha um nome menos popularmente conhecido, mas seus livros tiveram (e têm!) muitos leitores. E agora, pela primeira vez, a conhecida ‘Turma do Gordo’ ganha sua primeira adaptação cinematográfica: o longa ‘O Gênio do Crime’, um dos grandes lançamentos nacionais no circuito essa semana.

João (Francisco Galvão) é um jovem bastante perspicaz, fã do canal do Mister Mistério (Marcos Veras, de ‘Nas Ondas da Fé’), um detetive que faz investigações pela cidade. Quando João e seus melhores amigos, Pituca (Breno Kaneto) e Edmundo (Samuel Estevam) começam a observar que uma das figurinhas mais cobiçadas do álbum de figurinhas da Copa do Mundo, a do Vini Jr, se torna rara no mercado, mas alguns meninos da escola rival parecem não só ter a figurinha, como indicar a outros (e, assim, completaram o álbum mais rápido), a turminha começa a desconfiar e faz a denúncia para a polícia, que não faz nada. Assim, para resolver esse mistério – antes mesmo do seu ídolo Mister Mistério – João e seus amigos decidem investigar por conta própria, com a ajuda da mais nova membra do grupo: Berenice (Bella Alelaf).
‘O Gênio do Crime’ traz aquele tipo de história bem infantojuvenil mesmo, com um ar de pureza e inocência típico das crianças – que começam a entrar no universo adulto, mais perigoso e cheio de problemas, mas ainda têm a cabecinha ligada em questões do universo delas. Por isso, o tal ‘O Gênio do Crime’ tem a ver com um crime de falsificação de figurinhas, não algo mais tenebroso. Porque lá nos anos 80/90, quando essas histórias fizeram muito sucesso nas escolas e bibliotecas, a proposta era fazer a garotada ler e gostar de ler, e não necessariamente fazê-las cultivar um gosto com o true crime ou histórias mais tenebrosas, como vemos nos dias de hoje em outras produções que faz sucesso dentre a garotada como ‘Wandinha’ e ‘Stranger Things’.
Baseado no romance homônimo, ‘O Gênio do Crime’ tem um roteiro bem “suco com bolacha” (pra não dizer água com açúcar e pegando o típico lanche da tarde). Escrito por Ana Reber com colaboração de Marcos Ferraz, o roteiro faz uma boa adaptação não só da história do livro, mas de sua essência, seu clima. Para quem leu, o filme é como se teletransportar para uma época pré-internet quando o país acreditava e torcia muito pela seleção masculina de futebol. Aliás, uma boa sacada essa de lançar o filme às vésperas do mundial.

André Filipe Binder (cujo trabalho era mais voltado para séries de TV, como ‘Filhas de Eva’) consegue um simpático resultado com o protagonismo infantil interagindo com nomes já consagrados do mercado, como Marcos Veras, Ailton Graça e Douglas Silva. O contraste entre ambos os núcleos provoca sorriso no público. Deve ter sido divertido gravar esse filme.
Com sabor de nostalgia e ares de inocência juvenil, ‘O Gênio do Crime’ entrega o sabor de um livro dos anos 80 para um público de 2026 sedento por histórias nas quais possam se ver e se espelhar. Uma aventurinha com pintadas de suspense e mistério que contempla toda a família e ainda reacende a vontade de torcer na Copa do Mundo. Prato cheio para o programa de domingo a tarde.





