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Crítica | O Nascimento do Mal – Melissa Barrera mostra Todo Seu Potencial em Filme de Terror


Você estava com saudade de um bom filme de terror no escurinho de uma sala de cinema, né? Desses que te deixam encucado com a possibilidade de ser real, de acontecer com você, de ter acontecido com alguém. Apesar de o mês ter prometido grandes lançamentos, os resultados não foi lá essas coisas. Entretanto, se você é fã do gênero, uma boa aposta está chegando essa semana nas salas de todo o país: o aguardado terrorO Nascimento do Mal’.

Julie (Melissa Barrera) é uma jovem mãe em fim de gestação, ansiosa pela chegada de sua menininha. Ela e o marido, Daniel (Guy Burnet), acabam de se mudar para uma enorme casa perto do lago no interior do país. Como a casa não estava exatamente nas melhores condições, os dois resolveram fazer uma grande reforma para deixá-la a contento para chegada da bebê e também para a vida que planejam ter juntos naquele pequeno pedaço de paraíso. Porém, após um acidente, o médico recomenda que Julie fique em absoluto repouso na cama, levantando-se apenas para ir ao banheiro e tomar um banho de dez minutos a cada três dias pelos próximos dois meses, ou, do contrário, corre o risco de um parto prematuro. Sozinha naquele casarão, Julie começará a ouvir barulhos e sentir uma presença que não deveriam estar naquela casa.



Em uma hora e meia de duração fica evidente que ‘O Nascimento do Mal’ é todinho de Melissa Barrera, não só porque ela está em todas as cenas do filme, mas principalmente porque o seu talento é que carrega a história e a torna melhor do que de fato é. O carisma da atriz queridinha da nova franquia de ‘Pânico’ e que também roubou os holofotes em ‘Em Um Bairro em Nova York’ aqui realiza um papel mais adulto, como uma mãe traumatizada e que deve superar o seu trauma para proteger o seu bebê por vir. São as expressões faciais e sua capacidade de interpretação que conferem profundidade ao tédio da personagem de estar confinada na cama por dois meses sem ter muito o que fazer.

Escrito e dirigido por Lori Evans Taylor, ‘O Nascimento do Mal’ recai em diversos clichês, como o clássico marido que não ouve a esposa e não confia no que ela está falando, o que pode dar uma impacientada no espectador. Também a coisa toda demora acontecer – os primeiros barulhos só vão acontecer no meio do segundo ato. Ainda assim, o terceiro ato, o da resolução da coisa toda, é a parte mais interessante, trazendo bons efeitos visuais que se somam a uma boa produção de set, ambientando tudo nessa casa decadente, posto que em obras, mas que ainda assim não é inabitável.

O Nascimento do Mal’ é bem aquele filme de pandemia, com poucos personagens, praticamente uma única locação e uma história centrada em sua protagonista. Ainda bem que Melissa Barrera é uma boa atriz para emprestar seu talento a um filme que se escora em sua personalidade para dar vida a personagem. Hipnotizante, Melissa ganha o espectador neste filme de terror com pouco jump scare, mas com uma história que entretêm o suficiente para valer a ida ao cinema.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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