Crítica | O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos – Visual encantador, conteúdo nem tanto

Crítica | O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos – Visual encantador, conteúdo nem tanto

Nota:

Uma Ferrari com Motor de Fusca

Considerada uma das mais belas e clássicas obras de Tchaikovsky, O Quebra-Nozes já possui uma história muito conhecida, mas ainda assim, absurdamente mágica. Então, quando a Disney anunciou uma adaptação cinematográfica do Ballet, muita gente ficou ansiosa. Afinal, o estúdio do Mickey costuma fazer filmes musicais com histórias envolventes e coreografias belíssimas! Infelizmente, não é isso que nos entregam.

O ponto forte do filme é o visual, sem dúvida alguma. A riqueza de detalhes e mistérios envolvendo o reino do Quebra-Nozes é absurda! Lembra muito “As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupas”. Em alguns momentos, temos a sensação de que toda a criatividade da equipe foi gasta na composição dos figurinos, cenários e ambientações. E pra ser bem sincero, deve ter sido isso que aconteceu mesmo….


Se por um lado o filme enche os olhos com cenários deslumbrantes e figurinos deslumbrantes, por outro, um ponto fundamental do cinema é deixado de lado: o roteiro. A trama é repleta de furos, mostrando que os responsáveis pelo texto e direção estavam completamente perdidos. Para vocês terem uma ideia, o momento do filme que mais apresenta profundidade é uma sequência de dança que recria o Balé de Tchaikovsky. Os movimentos exprimem mais sentimentos e profundidade que QUALQUER linha do roteiro. Méritos de uma peça atemporal, que acaba por acentuar a grande mazela do filme.



Os personagens – com exceção da protagonista – não empolgam. Um completo desperdício de nomes consagrados do cinema, como Morgan Freeman, Keira Knightley e Helen Mirren. Não que eles estejam ruins, mas quaisquer outros atores poderia fazer seus respectivos papéis e ninguém notaria a diferença.

E isso nos leva aos dois principais. O Quebra-Nozes, que dá nome ao filme, é esquecido pelo roteiro e só aparece mesmo em momentos convenientes à trama. É outro pra lista de “se não estivesse lá, não faria diferença”. E temos também Clara (Mckenzie Foy), o grande destaque da narrativa. Ela é uma criança criativa e corajosa. Disposta a ajudar o povo dos Quatro Reinos, ela resolve seus problemas usando a Física. Uma abordagem incomum, mas bastante aprovada. Pena que os outros personagens ao redor não sigam esse ritmo. Tinha potencial.

O vilão da trama deveria ser surpresa, mas a Disney está tão preocupada em tentar “fugir dos padrões” de malvados e bonzinhos que acabou criando uma nova tendência. Ou seja, se você viu qualquer Live-Action da Disney lançado nos últimos 8 anos, é bem provável que você acerte quem é o malfeitor assim que ele pintar na tela pela primeira vez.

Enfim, eles tinham uma obra de arte nas mãos para ser trabalhada, mas decidiram por fazer um produto pasteurizado, perfeito para alguém com insônia. Podiam ter entregue um clássico moderno, mas optaram pelo raso, pelo simples. É bastante decepcionante e não muito relevante para o cenário atual. Uma pena.





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