Chegou ao Prime Video uma série que, em um primeiro momento, parecia seguir o caminho de outras tramas amarradas sobre roubos mirabolantes, em que aos poucos as peças vão se encaixando preparando terreno para um desfecho bombástico. Mas, nesta obra que vamos analisar, a dinâmica se constrói também por outros caminhos.
Em O Roubo, uma das primeiras séries lançadas em 2026 pelo popular streaming disponível no Brasil, camadas são rompidas para revelar a aflição de uma geração em relação ao trabalho, consolidando-se, ao longo de seis episódios, como uma sólida história – mesmo com seus exageros e conveniências – que abre espaços para amplas reflexões sociais.

Roteirizado por Sotiris Nikias, a trama se desenvolve através do olhar de Zara (Sophie Turner), funcionária de uma empresa de investimentos que, certo dia, se vê em um enorme conflito quando alguns criminosos invadem seu local de trabalho e realizam um roubo bilionário. À medida que as verdades sobre essa operação criminosa vão sendo reveladas, vamos entendendo o papel da intrigante protagonista nos acontecimentos que se sucedem.

A estrutura desse roteiro não apresenta nada inovador e, a todo instante, pula da ação para o drama recorrendo a facilidades excessivas. Coincidências improváveis podem incomodar os olhos mais atentos, enquanto coadjuvantes funcionam apenas como pontos de encontros para desafios e escolhas que giram em torno de Zara.

Dentro de uma ideia central que sustenta a narrativa, as ações em torno do roubo realizado, este projeto seriado toma um caminho nada aleatório ao expor o caos emocional através de sua personagem central ambivalente. Dinâmicas familiares conflituosas, um olhar que se amplia para toda uma geração em relação ao trabalho, dilemas que confrontam… há uma série de camadas que são acessadas que enriquecem os episódios.

Nessa construção complexa, que não abdica da coerência entre ações e consequências – nem da ética, longe de qualquer definição moral -, a protagonista, muito bem interpretada por Turner, sustenta a tensão dramática que o roteiro pede por meio de uma ambiguidade que não oferece respostas fáceis aos espectadores. Convites não faltam para nos questionarmos sobre o que faríamos diante do horizonte apresentado.

O Roubo consegue algo bem difícil: navegar com profundidade por várias reflexões sociais a partir de uma só perspectiva. Entre bons e protocolares episódios, o saldo é positivo.



