Depois de muita espera e de deixar os fãs com a ansiedade lá no alto, enfim chegou a adaptação audiovisual do sucesso literário Off Campus, sequência de livros escrito pela canadense Elle Kennedy que conquistou o universo juvenil – e também adulto. Intitulada Off Campus: Amores Improváveis, essa primeira temporada, já com todos os episódios disponíveis no Prime Video, é baseada no primeiro livro, O Acordo, lançado 10 anos atrás no Brasil.
Se você leu os livros ou não, isso acaba não importando muito. A versão seriada, que chegou neste meio de maio ao poderoso streaming da Amazon, busca ambientar também os não leitores a esse universo que vem ganhando mais fãs pelo mundo, ano após ano.

Quem já sabe de cor as falar, conhece profundamente os personagens e guarda na memória as passagens importantes pode acabar se surpreendendo ao assistir a série, já que sabemos, em questões de adaptações, sempre existe uma modificação ou outra.

Trazendo os conflitos ligados aos mais diversos temas que podem envolver a juventude ainda imatura em lidar com os sentimentos, chegamos até histórias que se entrelaçam dentro de um grupo de amigos que estudam na mesma universidade, Briar.

Nessa primeira jornada, o projeto foca seu olhar em Hannah (Ella Bright) e Garrett (Belmont Cameli). Ela é uma talentosa estudante de música; ele, o grande astro do time de hóquei. Dessa relação, que se inicia com uma situação inusitada – os dois fingem ser namorados para que Hannah tente fisgar o coração do músico Justin (Josh Heuston) – nasce um amor profundo, marcado por situações também ligadas a traumas do passado.

Ao longo de oito episódios, com cerca de 50 minutos de duração, vamos percorrendo subtramas bem encaixadas, que aproximam os outros personagens da história central. Com destaque para uma outra relação, de Allie (Mika Abdalla) e Dean (Stephen Kalyn), que roubam a cena em muitos momentos, e a gangorra de amizade entre Garret e seu melhor amigo, Logan (Antonio Cipriano), vamos sendo envolvidos por histórias de uma juventude norte-americana, bastante abordada em outras obras, mas que aqui ganha acesso a camadas profundas, tendo a força em cena de carismáticos personagens.

Se você está achando que tudo é superficial nessa trama, não se engane. Assuntos pesados contornam as linhas do roteiro: como assédio, a violência contra a mulher, maus-tratos no ambiente familiar, entre outras questões sociais. Algo que também chama a atenção é a forma como a sexualidade é abordada: de maneira leve sem deixar de ser intensa. Ao invés de sugerir, investe em uma abordagem caliente, que com certeza fez subir a classificação indicativa da obra.

Alguns episódios são bem interessantes, como o próprio piloto – fator fundamental para convencer o público a maratonar, principalmente quem nunca ouviu falar dos livros. Outros, porém, deixam um pouco a desejar, se tornando até certo ponto redundantes ou servindo de escada para uma resolução futura de certas situações.

Em resumo, Off Campus: Amores Improváveis passa de ano sem muitas dificuldades. Mesmo com uma questão ou outra que merece observação mais técnica quando pensamos em narrativa, convence – e isso é o que importa. A questão agora é saber como vão se desenrolar as adaptações dos outros livros e de que forma esse universo vai conseguir se manter vivo das páginas para as telas.





