Faltam menos de duas semanas para a entrega da estatueta dourada mais cobiçada da sétima arte. Nessa reta final, vamos analisar hoje ‘Professor Polvo’, documentário da Netflix que chegou à seletíssima lista final dos indicados ao Oscar. Por quê?

A história é extremamente simples: Craig Foster é um homem sul-africano que trabalha com captação de imagens e cinegrafia. Após uma experiência nas savanas, na qual aprendeu com os guias locais como observar a natureza, Craig sofre uma baita depressão e perde o interesse pelo trabalho. Na tentativa de recuperar o gosto pela vida, ele começa a mergulhar no oceano aberto, e, nesse movimento, vai descobrindo a incrível diversidade da vida marinha. Então, dentre novidades e deslumbres, uma criaturinha inteligente chama sua atenção, e, aos poucos, os dois se tornam bons amigos.



Em uma análise superficial, a sinopse de ‘Professor Polvo’ parece até mote de filme infantil da Disney, exceto que é história real. Escrito e dirigido por Pippa Ehrlich e James Reed, o documentário tem equilibradamente pontos altos e pontos baixos. Comecemos pelos bons: a história da improvável amizade entre um homem e um polvo (ou melhor, uma polvo-fêmea) engaja o espectador. A gente vai acompanhando cada capítulo da história como se fosse uma fábula, torcendo pelo final feliz e se espantando junto com o narrador sobre a inacreditável inteligência desse animal. Com imagens de tirar o fôlego, paisagem deslumbrante e um impecável trabalho de coloração, a qualidade entregue nos 85 minutos de duração do longa conduzem o espectador a uma experiência imagética quase palpável ao fundo do mar.

Por outro lado, o filme de fato não traz nada de mais. Quer dizer, se formos fazer uma análise sincera, ‘Professor Polvo’ é a história de um homem branco que, em pleno século XXI, descobriu algo que os povos africanos e indígenas vem dizendo há séculos: conecte-se com a natureza, respeite-a, pois todos os seres são incríveis e nos ensinam muito. O próprio Craig Foster confessa isso ao dizer, logo no início, que essa expansão no seu olhar só foi possível graças ao ensinamento de guias tribais africanos, através dos quais ele observou a importância de ler e ouvir os sinais da natureza.



Ainda que não levemos o debate por aí, o trabalho que Craig Foster realizou não é nada além do que dezenas de biólogos marinhos e pesquisadores do tema fazem diariamente ao redor do mundo, igualmente abdicando de convivência familiar e social em prol do estudo do comportamento animal para contribuir com a ciência. Portanto, o que Craig traz para a Netflix não é nada de diferente do que vemos no Globo Repórter ou no National Geographic.

Professor Polvo’ (que, na real, devia se chamar ‘Professora Polvo’, já que era uma fêmea) é um documentário bonito em muitos aspectos, mas que só é novidade para quem até hoje anda de olhos fechados para o meio-ambiente. Não justifica a indicação ao Oscar, mas, já que chegou tão longe, que ao menos ajude as pessoas a perceberem o quanto podem aprender com a Natureza.

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