A revitalização de uma língua de ancestrais indígenas é o ponto central de um documentário que busca, em momentos cotidianos de uma criança de 10 anos, indicar a importância do legado de seu povo, oriundos dos andes colombianos. Dirigido por Samuel Moreno Alvarez e selecionado para a mostra território do CineBH 2026, em Pukem Swa, embarcamos em um filme sensorial, com longa duração de planos, que revela parte de uma cultura local e busca trazer reflexões sobre um importante recorte de nosso continente.
O corrido lettering inicial, inserido dentro da narrativa, ajuda a nos situar no que acompanharíamos – sem isso, seria difícil entender alguma coisa. E isso já era um indício de superficialidade, que logo se mostraria presente nos menos de 80 minutos de projeção.

Por meio desse início de uma rasa contextualização, entendemos que Chibcha é uma língua indígena que entrou em desuso após a invasão espanhola na América. Associada ao povo Muisca, entrou em total apagamento com a colonização espanhola, a partir do século XVI. Assim, o filme propõe documentar uma descoberta de um pai e seu filho por meio dos ensinamentos culturais do passado, uma espécie de reconquista de tradições perdidas pelo tempo.
Seja em uma improvisada sala de aula, ou em canções de antepassados, que fazem o contraponto com o sentido de infância nos tempos atuais, movimentos buscam elementos para os silêncios e nas lembranças dos ancestrais. A questão é que algumas cenas sugerem andamentos pouco naturais, como se fossem algo encenado ou mesmo induzido por algumas perguntas que aparecem – não estou batendo o martelo, mas dá essa forte impressão.

O que percorre a narrativa é apresentado de maneira cadenciada, resultando em um filme oco e sem pulsação, longe do objetivo de impactar. As ideias são desenvolvidos de maneira superficial, esquecendo-se de uma maior contextualização – algo que cairia como uma luva nas ricas sugestões que contorna. Se somando a isso, experimentações se misturam, tornando-se um liquidificador descontrolado que não extrai a atmosfera necessária e que encontra nossa atenção apenas de vez em quando.


