Nos últimos anos, o mundo tem prestado maior atenção às fake news e os discursos de ódio disseminados nas redes sociais. Da noite pro dia surgem celebridades, e outras desaparecem de repente por conta de uma onda de cancelamentos. Mas… você já parou para pensar como tudo isso acontece? É aí que entra a extrema relevância desse ‘Rede de Ódio’, novo suspense da Netflix.

Tomasz Giemza (Maciej Musialowski) é um rapaz pobre do interior da Polônia cujos estudos em Direito são pagos pela família de Robert (Jacek Koman), Zofia (Danuta Stenka) e Gabi Krasucka (Vanessa Aleksander). Tomasz nutre uma paixão intensa por Gabi, mas, apesar das aparentes boas maneiras, quando ele não está por perto a família da moça ri das maneiras dele. Ao mesmo tempo, Tomasz consegue um emprego numa agência de publicidade, só que a empresa trabalha para destruir pessoas, e é aí que a vida do rapaz muda por completo.

Apesar dessa sinopse bem reduzida, não se engane: ‘Rede de Ódio’ é desses filmes tipo ‘Parasita’, que traz muito mais do que parece – ainda mais com esse título em português meio bobo, que o parecer ser um filme de ação genérico. É neste ponto que reside o brilhantismo do roteiro de Mateusz Pacewicz, cuja história superficial parece boba, mas, tal como uma rã sendo cozinha em água quente, a história vai nos conduzindo por caminhos obscuros inesperados, desvendando os subterfúgios de uma mente psicopata em evolução e, quando percebemos os verdadeiros motivos por trás de todo o cenário construído, já fomos capturados pela intrincada rede do roteiro do filme.

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A sintonia do diretor Jan Komasa com o roteiro se reflete em muitos aspectos que colaboram na construção de um clima de suspense cheio de armadilhas. O primeiro deles é a paleta de cores, que de imediato chama a atenção: quando Tomasz está trabalhando na agência, as cenas ganham tons azulados, que ajudam a reforçar o ar doentio e as olheiras profundas do personagem; quando ele está no ambiente externo, levando sua vida normalmente, as sequências ganham um tom mais solar, mais amarelado – isso ajuda a reforçar no imaginário do espectador a jogada dupla do protagonista. Outro aspecto que chama muitíssima atenção é a direção de som: em momentos muito chave entra música – em um plano-sequência específico, em que é inserido música clássica, o desenrolar é tão belo que parece aqueles balés trágicos shakespearianos –, e, em outros, há a ausência total de som, fazendo o silêncio esmagar os personagens.

A competência Maciej Musialowski em construir um protagonista tão complexo leva o espectador a torcer por ele, mesmo com essa carinha de Tom Holland. A sutileza com que demonstra suas emoções nos pequenos gestos gera conflitos interessantes no espectador, que se percebe conduzido por esse personagem soturno e frágil.

Com uma trama complexa e super atual, ‘Rede de Ódio’ reflete sobre a nociva e asquerosa indústria do ódio e das fake news, e levanta o alerta sobre o quanto somos manipuláveis nas redes sociais. Um filme que precisa ser visto e debatido.

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