Crítica | ‘Rede Tóxica’ – Uma crítica voraz à estrutura invisível das redes sociais

CríticasCrítica | ‘Rede Tóxica’ – Uma crítica voraz à estrutura invisível das redes sociais

O submundo da internet é um lugar perigoso – sempre foi. Com o avanço das tecnologias, principalmente das redes sociais, que vestem a camisa do espírito livre e se protegem com o escudo da liberdade de expressão, de vez em quando nos deparamos, em nossos feeds, com conteúdos violentos e ofensivos que não queremos assistir. Poucas vezes conseguimos parar para pensar sobre o tema, mas isso se mostra cada vez mais necessário.

Trazendo uma crítica voraz e cirúrgica sobre o impacto da internet no nosso cotidiano, chegou à HBO MAX um drama repleto de camadas, que nos leva através de uma protagonista cuja vida é revirada quando resolve tomar uma atitude diante do caos que a cerca. Dirigido pela cineasta alemã Uta Briesewitz e com roteiro de Matthew Nemeth, Rede Tóxica segue uma narrativa lenta que busca, nos detalhes, abrir as portas das reflexões que chegam com força.

Daisy (Lili Reinhart) é uma jovem que sonha em se tornar enfermeira. No entanto, por conta de algumas questões, segue a vida trabalhando em uma empresa de monitoramento de redes sociais, onde tem o papel de assistir a vídeos que são denunciados e deletá-los quando necessário. Um desses conteúdos a deixa perplexa e indignada, fato que a faz ir atrás dos envolvidos.

Inteligência Artificial: 10 filmes intrigantes sobre o tema

A partir do olhar da protagonista, cada peça é colocada aos poucos, somando-se à força das mensagens que são sugeridas pelas entrelinhas. Com o contexto muito bem destrinchado, explorando as relações das pessoas com os dispositivos de comunicação que seguem livremente pela internet, vamos sendo conduzidos para um desenvolvimento de personagem muito bem feito, mostrando os dilemas, as aflições e os conflitos emocionais provocados por uma função profissional controversa.

Uma coisa que não dá pra entender é por que esse filme tem a nota baixa no IMDB ou mesmo por que não gerou mais burburinho. Será que as mensagens (óbvias) que a obra provoca não conseguem chegar a todo mundo? Utilizando a metáfora em alguns momentos – prestem atenção no simbolismo que a figura do crocodilo provoca -, o roteiro se mostra eficiente, com um discurso afiado, prendendo a atenção mesmo em uma atmosfera melancólica que, carece de ritmo em muitos momentos, não interfere na fluidez narrativa.

Rede Tóxica é o tipo de filme que te conquista aos poucos, e chegamos ao desfecho com uma série de indagações sobre o papel das redes sociais em um planeta que não para de investir em tecnologia, mas que não percebe – ou protege pouco – os perigos que cercam a linha tênue entre crime e liberdade de expressão.

Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

Inscrever-se

Notícias

Inteligência Artificial: 10 filmes intrigantes sobre o tema

A cada geração que passa, os estudos sobre tecnologia...