Crítica | Rihanna faz seu retorno ao mundo da música com a frustrante e decepcionante “Lift Me Up”



Rihanna é uma das artistas mais icônicas do século e, desde sua estreia oficial no mundo da música, nunca teve medo de explorar gêneros diferentes e construir uma identidade que se diferenciava do que o mainstream exigia. Não é surpresa que, ao longo da carreira, tenha conquistado inúmeros prêmios, incluindo nove estatuetas do Grammy Awards.

Entretanto, já fazia um belo tempo desde que a performer não nos agraciava com suas músicas – sendo sua última incursão com o impecável álbum ‘ANTI’ em 2016. Agora, ela parou o mundo novamente ao entregar-se de corpo e alma para a trilha sonora do vindouro ‘Pantera Negra: Wakanda Para Sempre’, comandando a música-tema “Lift Me Up”. Mais uma vez, Rihanna rema contra a maré, mas o resultado é muito aquém do esperado, permeado por emulações cansadas e uma vazia tentativa de construir uma balada antêmica – o que é, ao mesmo tempo, frustrante e surpreendente, considerando as ótimas faixas que ela encabeçou nas décadas passadas.

Iniciando com um solene murmúrio, a cantora logo prova que seu tempo longe da música não lhe trouxe nenhuma perda vocal – ora, a primeira nota já solidifica uma rendição de tirar o fôlego, nos preparando para o refrão. Os deslizes, dessa forma, não se referem à carga emocional de Rihanna, que faz um trabalho aplaudível dentro das restrições que se autoimpõe; o problema reside na estrutura da canção, infundida em emulações contínuas que não trazem nada de original.

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Em se tratando de uma música em homenagem ao saudoso Chadwick Boseman, falecido em 2020, o caráter solene funciona em partes e demonstra uma ambição considerável, ainda que não atinja o objetivo proposto. Rihanna se fecha em uma redoma angelical, acompanhada de um coro gospel que surge no terceiro ato da música, mas não há muito além disso para ouvir: o que temos é uma amálgama corrida que pega elementos tanto de um longínquo e nostálgico “I Have a Dream” quanto da recente trilha de ‘Encanto’ (e aqui me refiro à melodia pungente do violão e do piano).

“Lift Me Up” é decepcionante principalmente porque Rihanna sabe como comandar baladas poderosas – apenas a encargo de comparação, temos “Higher”, “Love On the Brain”“Stay”, que poderiam servir de inspiração para a cantora, mas, pelo contrária, são deixadas de lado. A lírica também não foge muito dos convencionalismos, evocando aqueles que já partiram com imagens já exploradas há muito tempo na indústria fonográfica – ainda que tocantes à sua própria maneira.

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De qualquer forma, é muito provável que a faixa encante os fãs mais derradeiros da artista, que esperavam há tanto tempo seu retorno – e, mesmo com os inúmeros problemas, não descartaria sua aparição na corrida pelo Oscar.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.