Desde quando a pandemia começou, em fins de 2019, o mundo vem procurando entender, estudar, prevenir e curar o vírus da covid 19. Hoje, novembro de 2021, dois anos se passaram desde o surto em Wuhan, na China. De lá para cá a vacina foi criada, através de diferentes tecnologias, milhares de pessoas morreram no mundo inteiro, mas, em contrapartida, milhões de cidadãos estão hoje vacinados ou completamente imunizados contra o vírus. E, apesar do breve intervalo de dois anos entre o surgimento do novo vírus e a vacinação global, hoje também já começamos a ver nos cinemas e plataformas de streaming os primeiros filmes e documentários sobre esse trágico período que todos nós vivemos, como o longa ‘SARS-CoV-2 / O Tempo da Pandemia’, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros.

Em cerca de duas horas de duração, o longa entrevista os médicos e especialistas do chamado Comitê Gestor Todos pela Saúde – que para nós, cidadãos, ficou conhecido como o Comitê de Especialistas. Durante as entrevistas esses médicos avaliam o caráter trágico e inesperado da pandemia, além dos altos índices de mortes que assolaram a população. As dificuldades de gestão também são pauta do debate, bem como a dificuldade em se manter otimista. Dentre os depoentes estão Gonzalo Vecina, um dos fundadores da ANVISA; o médico e escritor Dráuzio Varella; Paulo Chapchap, diretor geral do Hospital Sírio-Libanês; Eugênio Vilaça, da COPI-UFMG; Maurício Ceschin; Pedro Barbosa, vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz; e Sidney Klajner, médico-cirurgião e presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.



Ao longo do documentário fica claro que o filme não trata exatamente de um retrato do que tem sido a pandemia no Brasil, mas sim um registro do que foi precisamente o trabalho desse muito falado, porém pouco conhecido, Comitê de Especialistas. Se por um lado é importante conhecer o cuidado e a preocupação que esses médicos tiveram ao se reunirem virtualmente para traçar objetivos e estratégias para conter o vírus em nosso território – trabalho este que finalmente fica transparente para o espectador, que passou dois anos ouvindo notícias e diretrizes desse comitê, sem pouco ver a cara de quem fazia parte dele –, por outro passa a sensação de vídeo institucional, como quem termina um projeto exaustivo de longo prazo e precisa elaborar um relatório apontando altos e baixos do serviço, prestando contas ao contratante – que, neste caso, mostra se tratar do banco Itaú, que, através de sua representante financeira liberava verba para colocar em prática as medidas sugeridas pelo comitê.

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Rodado entre abril e maio de 2021 – ou seja, com a campanha de vacinação já iniciada – o documentário de Eduardo Escorel e Lauro Escorel apenas pincela, através do depoimento, os momentos cruciais da pandemia no país, como a crise de oxigênio em Manaus. Dentre os médicos da linha de frente, apenas duas mulheres, e, no comitê gestor, apenas uma, cuja função era executar aquilo que os médicos homens haviam decidido como estratégia. Apesar de  isso não ser intencional, o filme acaba também retratando como os comitês de tomada de decisão são sempre formados em nosso país, com o mesmo perfil.

Enquanto documentário, ‘SARS-CoV-2 / O Tempo da Pandemia’ preenche uma importante lacuna na história da pandemia no país, dando rosto e nome àqueles que tomaram as principais decisões sanitárias para o país enquanto o governo federal se ausentava de responsabilidade. Não é um filme sobre a pandemia em si, mas dos indivíduos que fizeram de tudo para pensar em formas de ajudar a população a vencer um vírus enquanto a vacina ainda não chegava para a gente. E agora seus esforços chegam ao público através do cinema.



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