Um dos temas mais comentados envolvendo a saúde mental é o estresse pós-traumático – um transtorno complexo que deixa muitas marcas e merece todo cuidado, inclusive quando é mencionado. Trazendo esse assunto de forma displicente em uma trama sem pé nem cabeça, chegou à Prime Video um sofrimento que parece nunca acabar: Soldado de Chumbo – que, incrivelmente, alcançou o Top 1 da plataforma.
Olha, pessoal, é difícil assistir a esse filme sem franzir a testa a todo instante, na busca por tentar entender os elos que se formam. Mas, como todo bom cinéfilo, tentarei situar vocês sobre o que os aguarda. Dirigido por Brad Furman, a obra parte de um assunto delicado – já mencionado acima – até o combate a uma seita que personifica uma ideia de utopia que se torna uma ameaça para a nação mais poderosa do mundo. Sentiu a engenhosidade?

Nash (Scott Eastwood) é um ex-militar que passa por um verdadeiro inferno em sua vida após a morte de sua esposa, Evoli (Nora Arnezeder). Ambos faziam parte de uma seita chamada ‘o programa’, criada por Bokushi (Jamie Foxx), também um ex-militar, só que megalomaníaco, que criou um grupo organizado em torno de crenças contra o próprio país, seduzindo para esse grupo pessoas que passaram por algum estresse pós-traumático e buscam uma cura. Quando Nash descobre que Evoli pode estar viva, ele embarca em uma missão para impedir as ações de Bokushi.

Neste que é, sem dúvidas, um dos filmes mais estranhos dos últimos tempos, encontramos um dos roteiros mais desconexos e desordenados do ano até agora. Tudo começa pelo trauma e a culpa – duas variáveis mantidas em todos os elos das correntes que busca algum horizonte. Pelos olhos de um confuso protagonista, acompanhamos os quase 90 minutos de projeção incrédulos, na expectativa de que, em algum momento, a história de fato aconteça – ou, pelo menos, tenha alguma lógica.

Tentando impor a já desinteressante luta entre o bem e o mal, sem parar para desenvolver a ambivalência moral, a narrativa mescla flashbacks em forma de lembranças na tentativa de amplificar o caos emocional vivido pelo personagem principal. A questão é que, dessa forma, tudo se torna bastante confuso.
Mas não é só isso: a cereja do bolo é uma narração em off consciente, comentando as próprias ações que acontecem. Por mais que tenha uma boa explicação para isso, acaba preenchendo a tela com o que já era mostrado, se tornando um ponto redundante e capaz de tirar qualquer pessoa do sério.

Dos traumas que não se desprendem a um messias autoproclamado, Soldado de Chumbo é um filme mirabolante que frusta a paciência até de quem quer se desligar do mundo e se entreter vendo qualquer obra na televisão.
E, antes de terminar, você pode estar sentindo falta de alguma menção às atuações: acredite, nem vale a pena comentar, uma pior que a outra. Até tu, De Niro?!.


