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Crítica | Terrifier 3 – Entre o Deboche e o HORROR Gore, Art Torna o Natal Sangrento


Em 2016, um filme se sobrepôs aos lançamentos daquele ano, pois com um orçamento baixo e uma temática não popular, a produção conseguiu arrecadar mais do que gastou, tornando-se, assim, um sucesso. Estamos falando de ‘Terrifier’, filme de terror que traz o palhaço Art como um serial killer psicopata que mata a todos que aparecem em seu caminho. O sucesso foi inesperado, e, durante a pandemia, os produtores e realizadores tiveram que bolar um plano para uma continuação, afinal, não dava para deixar a peteca cair. Assim chegamos à ‘Terrifier 3’, terceiro longa desta que já se tornou a franquia de terror experimental proporcionalmente mais bem-sucedida da década.

terrifier 3

Depois de sobreviver aos brutais ataques do palhaço serial killer, Sienna (Lauren LaVera) passou um tempo em uma casa de reabilitação, onde foi medicada e tratada por conta de seus traumas, enquanto seu irmão mais novo, Jonathan (Elliott Fullam) seguiu com sua vida, indo para a faculdade. Com a proximidade das festas de fim de ano, Sienna recebe alta para ir para a casa da tia, Jessica (Margareth Anne Florence), onde tenta recomeçar a vida retomando o convívio com sua prima, Gabbie (Antonella Rose). Mas por mais que se esforce, as memórias de sua família sendo assassinada voltam a assombrá-la, e a proximidade do Natal faz com que ela sinta a presença de Art (David Howard Thornton) com cada vez mais frequência… até que novos episódios sinistros começam a acontecer.



Uma coisa que fica muito evidente nesse ‘Terrifier 3’ é que há um crescente na franquia – e, pelo andar da carruagem, a franquia pretende extrapolar todos os limites. Se no primeiro filme o foco de arte era em duas garotas, como uma história de terror qualquer, no segundo a coisa já ficou mais elaborada, com background à protagonista e cenas de matança com mais intensidade. Agora, nesse terceiro filme, Art (e a produção) ficam totalmente sem limites – para a satisfação dos fãs de horror e para o choque do espectador comum.

terrifier 3

As cenas de matança são literais e brutais, com muito close, tripas saindo, sangue escorrendo para todos os lados e bastante requinte de crueldade. Versátil, Art faz uso de tudo que possa lhe servir como ferramenta para matar – martelo, bastão, arma, faca, vidro, motosserra. As mortes são todas calculadas criativamente, elevando o sarrafo do bizarro a cada nova vítima. Nesse crescente, há cenas que podem fazer (mesmo!) pessoas passarem mal, e há cenas que ultrapassam os limites do entretenimento.

Por outro lado, a cada carnificina, há o contraponto do riso de Art, sempre fazendo palhaçada para quebrar a repulsa da morte. E assim vamos, entre um assassinato absurdo e um claro deboche, Art vai conquistando com seu carisma a la Mr. Bean, atraindo com as vítimas com seu sorriso e chocando com sua violência.

Terrifier 3’ é o melhor filme da franquia, mas também o mais pesado. É sensato seguir a orientação indicativa de 18 anos, pois é preciso ter grande poder de abstração para não se afetar pelo filme.

Às vezes passado do limite, ‘Terrifier 3’ é grotesco, faz rir e se solidifica como a melhor franquia de terror gore da atualidade. Um prato cheio para os fãs de terror de estômago forte.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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