Ceci (Esmeralda Pimentel) e Alex (Mauricio Ochmann) estão completamente apaixonados e têm o casamento perfeito. Ceci é uma arquiteta super competente prestes a se tornar sócia da empresa em que trabalha, e seu maior sonho é ser a melhor em seu trabalho. Mas Alex, embora tenha um bom emprego como designer, tem o sonho de ser pai, e, de repente, esse sonho começa a estimular uma agonia nele, que passa a pressionar Ceci para ter um filho. Só que esse não é o sonho de Ceci, e, além desse posicionamento de Alex gerar grande atrito no relacionamento dos dois, Alex ainda aparece com um bebê dentro de casa, o que torna tudo ainda mais confuso entre os dois.

Embora o início de ‘Teste de Paternidade’ seja centrado em Ceci – e dê a entender que ela seria a protagonista do filme –, o longa na verdade foca sua história no drama de Alex – sua inquietação por seu pai, seus traumas do passado e as dificuldades que um homem encontra quando se vê pai. A escolha do argumento do longa é arriscada; uma vez que o público-alvo de comédias românticas é geralmente feminino, produzir uma história centrada em conflitos primários do universo masculino diante da paternidade (em busca de um diálogo com os papais do mundo) pode acabar não agradando nem aos homens, nem às mulheres.


A evolução do roteiro de Tiaré Scanda e Leonardo Zimbrón é previsível e bastante cansativa, uma vez que para construir um personagem masculino inseguro de si o longa opta por reforçar estereótipos irritantes e que vêm sendo bastante evitados nos últimos anos. Assim, o personagem Alex em vez de conquistar a empatia do público, causa repulsa com o excesso de vezes em que repete o jargão “mas você é mulher e toda mulher nasce automaticamente com o instinto materno e o desejo de ser mãe”. Na primeira vez, vá lá, mas são tantas as repetições que, em vez de acharmos que o personagem irá evoluir e entender que não é bem assim, o espectador começa a suspeitar de que, na verdade, essa seria a mensagem do longa.

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Além disso, por centrar o foco na dificuldade dos homens de entenderem que nem todas as mulheres automaticamente querem ser mães, e, principalmente, na dificuldade de eles se tornarem pais, ‘Teste de Paternidade’ acaba demonstrando que, no final das contas, o desejo de Alex é de apenas ter os benefícios de ser pai (segundo suas próprias palavras, “quer ter um filho para jogar videogame e se divertir”), não tanto em se preocupar, gastar com a criança e abrir mão da sua rotina. Numa tentativa de mostrar o esforço do personagem em se tornar pai, o filme de Salvador Espinosa acaba envolvendo literalmente todo mundo da sua vida nesse projeto, e todas as pessoas simplesmente passam pano pra ele, em vez de chamá-lo à razão em fazê-lo entender que ser pai é uma responsabilidade vinte e quatro horas por dia, uma função que não pode ser terceirizada de acordo com sua vontade.

Ainda que bem produzido e bem intencionado, ‘Teste de Paternidade’ traz uma mensagem um bocado distorcida sobre o embate família x carreira e sobre o que é ser pai. Felizmente a atuação da hipnotizante Esmeralda Pimentel salva o filme, que pode ser até uma opção de entretenimento na Netflix, apesar de forçar bastante a barra no seu enredo.

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