No final de junho, os olhares de todos as pessoas apaixonadas por cinema brasileiro estarão atentos para uma das mais famosas cidades históricas de nosso país, Ouro Preto. Nessa cidade deliciosa acontecerá a 21ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto 2026, a CineOP, evento que busca manter viva as memórias do nosso audiovisual por meio de muitas obras com diversos mecanismos narrativos.

Olhando para a programação deste ano, um fato chama a atenção. Algumas obras desenvolverão suas narrativas em torno de recortes sobre alguns artistas musicais que marcaram época na música popular brasileira, como Alceu Valença, Baby do Brasil, Fernanda Abreu e Hyldon.
No sábado, dia 27 de junho, no maravilhoso Cine Praça, cinema ao ar livre montado na Praça Tiradentes, teremos a exibição de dois aguardados documentários. Um deles, é o excelente longa-metragem de Lírio Ferreira, Vivo 76, uma viagem fascinante pela vida e carreira de um artista empolgante, Alceu Valença, da sua infância até um dos álbuns que mais marcaram sua extensa carreira, Vivo! (lançado em 1976).

O documentário constrói sua narrativa com uma série de materiais de arquivos – fotos, vídeos, entrevistas – e de depoimentos do próprio Alceu na atualidade, criando um antes e depois envolvente. Assim, vamos vendo ser conectados partes de sua fascinante história, que se associa a momentos emblemáticos de um Brasil em constante mudança.
18 filmes para ficarmos de olho na CineOP 2026
Também no sábado, saberemos mais sobre Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira – as lembranças logo chegam.
O documentário Apocalipse Segundo Baby, com roteiro e direção de Rafael Saar, toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes da cantora.

Já no dia 28 de junho, também na praça mais charmosa da cidade de Ouro Preto, haverá a exibição de Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o documentário apresentará ao público um vasto material produzido 30 anos atrás, durante as gravações de Na Lata, um dos álbuns mais importantes da carreira da artista carioca e que até hoje é lembrado com sua mistura de pop e samba-funk brasileiro.
No penúltimo dia de festival, na segunda-feira, dia 29 de junho, o público estará de frente com um ótimo documentário dirigido por Felipe David Rodrigues e Emilio Domingos. As Dores do Mundo: Hyldon conta a trajetória de Hyldon de Souza Silva, conhecido apenas pelo primeiro nome: guitarrista e produtor, fã de Marvin Gaye, que logo virou artista. Além de tudo, um observador atento de muito momentos da música popular brasileira.
Desde a infância na Bahia até a chegada ao Rio de Janeiro, passando pelos primeiros acordes e as oportunidades que apareciam, ele sempre se manteve fiel a seu modo de pensar e viver a vida. Desconhecido por muitos, possui em seu acervo criativo canções emblemáticas cantadas até hoje. Vendo a Jovem guarda acontecer e com as influências do amigo Tim Maia, entre músicas rápidas e lentas, mostrou versatilidade e um estilo próprio, causando um forte impacto em toda uma geração.
CineOP: A paixão pelo cinema brasileiro em uma cidade histórica
Além desses aguardados filmes, mais de 100 outros projetos serão exibidos nesse festival. De 25 a 30 de junho, fique de olho em toda nossa cobertura aqui pelo site e nas nossas redes sociais. Viva a CineOP! Viva o cinema brasileiro!




